PSD puxa por Guterres: só reviravolta o afasta de secretário-geral

Na Universidade de Verão dos jovens sociais democratas, a antiga deputada do PSD referiu-se ao socialista como "o nosso António Guterres"

A antiga deputada do PSD e especialista em Nações Unidas, Mónica Ferro, disse esta noite num jantar-conferência na Universidade de Verão do PSD que António Guterres" está a ser incontornável", acreditando que - tendo em conta as últimas votações - "terá de haver uma grande reviravolta para que não seja secretário-geral das Nações Unidas".

O PSD tem feito o que pode por Guterres. Nas últimas jornadas parlamentares do PSD, Guterres foi convidado, discursou e ouviu o presidente do partido, Passos Coelho, dar-lhe apoio público e garantir-lhe ainda que faria campanha por ele junto de todos os governos e partidos que fazem parte de uma das maiores famílias europeias: o Partido Popular Europeu.

Mónica Ferro alertou, no entanto, que as votações até agora são só "indicativas", mas acabam por ser sinais favoráveis. O consenso nacional é tão deliberado que, numa atividade do PSD , um antigo secretário-geral do PS é referido como "o nosso António Guterres", cuja candidatura Mónica Ferro define como "brilhante".

A antiga deputada lembra ainda que na próxima semana uma diferenciação de cores na votação já vai permitir entender se entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (os chamados P5), que têm poder de veto, existe ou não um voto de desencorajamento a António Guterres.

O português destacou-se na ONU, precisamente por ter sido Alto Comissário para os Refugiados das Nações Unidas. No jantar desta noite da Universidade de Verão do PSD, os alunos puderam também ouvir um refugiado sírio que vive em Portugal. Nour Machlah nasceu em 1991, em Aleppo, e quando a guerra eclodiu na Síria passou pelo Líbano, pela Turquia e acabou a estudar e trabalhar no Porto.

Nour Machlah disse que desconhecia Portugal quando veio para o país, daí que defenda que "Portugal precisa de se mostrar mais ao mundo." O sírio vai fazendo o seu trabalho de sensibilização ("venham para cá", diz aos conterrâneos) e garante que se sente "em casa" em Portugal. Quanto ao facto da maioria dos sírios preferirem a Alemanha, Machlah acredita que isso acontece porque "antes da guerra já tínhamos pessoas a emigrar para a Alemanha e as pessoas preferem o que conhecem ao que não conhecem."

O refugiado utiliza também o Facebook para mostrar como tem uma vida "normal" em Portugal e que o país é dos melhores da Europa para se viver.

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