PSD: "O Governo tem duas caras"

O crescimento da Economia não está na agenda das jornadas parlamentares do PSD, que começara esta terça-feira num resort de cinco estrelas, em Santa Eulália, Albufeira

A "avaliação do trabalho do governo" vai ser um dos pontos centrais das jornadas parlamentares do PSD, anunciou o líder da bancada Luís Montenegro na sua intervenção de abertura, esta tarde. "Não vamos falar do ponto de vista económico e financeiro, mas de outros temas", começou por dizer, ignorando todos os indicadores positivos. O maior partido da oposição quer antes evidenciar as "duas caras do governo". A sustentar esta tese, Montenegro recordou o caso, noticiado este fim de semana pelo DN, da contratação de estagiários não remunerados pelo governo, para o gabinete jurídico da Presidência do Conselho de Ministros (PCM). "Como propaganda politica o governo anda a dizer há meses que quer acabar com os vínculos precários na administração pública, embora muito mal explicado e com contradições. Basta ver que só nos primeiros três meses deste ano o Estado contratou mais 4 mil precários. E agora vem esta história dos estagiários não remunerados para exercerem funções de capital importância na PCM, como é a avaliação da qualidade legislativa. O governo tem duas caras. Uma da publicidade, muito sorridente, outra do dia-a-dia de malabarismos que escondem a verdadeira capacidade do governo fazer aquilo que diz", salientou.

Os outros temas que Montenegro quer ver discutidos nas jornadas, são a reforma do sistema político e a consequente redução do número de deputados, mas para a qual é necessária uma maioria de dois terços dos deputados; a regulação da Uber e da Cabify, "responsabilizado as plataformas eletrónicas; e o alojamento local, que o PSD quer que continue "dinamizado". "Parece que o PS não gosta deste setor de atividade. A proposta de fazer depender o alojamento local da autorização de todo o condomínio é matar este setor que tem sido tão positivo para as famílias", afirmou. "Podemos ter um governo mau, mas não estamos condenados a ter um país pobre", concluiu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.