PSD e CDS acordam coligação em Oeiras contra três presidentes

A falta de entendimento nas maiores cidades do país, Lisboa e Porto, não faz eco no resto do país: sociais-democratas e centristas preveem ter acordo em mais de uma centena de autarquias, contra as 87 das eleições de 2013

PSD e CDS acordaram esta semana uma coligação no concelho de Oeiras, para apoiar Ângelo Pereira, o presidente da concelhia social-democrata e atual vereador da câmara, já antes anunciado candidato oficial deste partido, soube o DN em primeira mão. Este é o último acordo de coligação conhecido entre estes dois partidos para a Área Metropolitana de Lisboa, onde mesmo sem entendimento na cidade capital, é esperado que haja 10 coligações e esse número seja superior ao de 2013. Essa é, aliás a tendência no resto do país onde estão previstas mais de uma centena de coligações PSD/CDS, quando nas últimas eleições isso só aconteceu em 87 autarquias.

Em Oeiras, concelho com a maior taxa de licenciados do país, os eleitores vão ter de se decidir entre três presidentes: o atual presidente da câmara, Paulo Vistas, cuja candidatura é dada como certa, como independente Joaquim Raposo, o ex da câmara da Amadora, pelo PS, e o ex de Oeiras, Isaltino de Morais, igualmente como independente. Pela CDU, Heloísa Apolónia, líder do partido Os Verdes é a cabeça de lista, mas tem também um ex-presidente a liderar a lista à Assembleia Municipal: Daniel Branco, que dirigiu Vila Franca de Xira.

Outra originalidade é a divisão do eleitorado de direita, com três candidatos a disputarem esse espaço: Vistas, Isaltino e Ângelo Pereira, agora com os centristas DN, o candidato do PSD desvaloriza e não vê que seja um problema: "O eleitorado é da mesma área quando se tratam de eleições nacionais. Em autárquicas, votam nas pessoas, pois há uma relação de muito maior proximidade", sublinha. Ao telefone com o DN na passada quinta-feira, quando se encontrava na estrada, a pé, em peregrinação a Fátima, Ângelo Pereira valoriza o apoio do CDS, que considera um partido com "grande dinâmica no concelho, com boas ideias e bons quadros".

Ângelo Correia responde , politicamente correto, à questão sobre se será Paulo Vistas ou Isaltino de Morais o seu principal adversário: "O nosso maior combate será contra a abstenção. É esse o nosso único adversário". Tem como "cartão de visita" a sua vasta experiência autárquica e a sua experiência como vereador pelo PSD, sob a presidência de Vistas, com várias áreas sob a sua responsabilidade, entre as quais o turismo e a juventude.

O plano estratégico que vai ditar os compromissos desta candidatura ainda está a ser concluído, mas, assinala João Gonçalves Pereira, presidente da distrital de Lisboa do CDS, o acordo previu algumas "marcas" do seu partido. O turismo é uma delas, uma pasta que o CDS no governo, com Adolfo Mesquita Nunes, deixou boas memórias. "Não se compreende porque em Lisboa e Cascais, os dois concelhos limítrofes, se tira tanto partido do turismo e em Oeiras não", assinala Gonçalves Pereira. Outras duas "marcas" do CDS serão nas áreas dos transportes e mobilidade e da natalidade e envelhecimento ativo todos temas em que os centristas têm marcado a agenda no debate nacional.
No âmbito do acordo de c fechado esta semana, o CDS terá ainda o candidato a presidente de três juntas de freguesia, uma delas a da União de Freguesias de Oeiras, Paço de Arcos e Caxias, que é a quarta maior do país: Nuno Gusmão, presidente concelhia do CDS de Oeiras. "É um claro sinal de confiança entre os dois partidos", classifica o presidente da distrital.

Gonçalves Pereira, que é o porta-voz da candidatura de Assunção Cristas em Lisboa, admite que em Oeiras "o contexto não torna o combate eleitoral fácil", parte devido a haver três candidatos da mesma área política, mas acredita que "não há partidos donos dos votos do eleitorado e", sublinha, "neste caso temos um eleitorado bem informado e bem formado. Se olhares para o programa que vamos propor e para a equipa que o vai executar, estou confiante que lhe vão reconhecer mérito".

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