PSD acusa maioria parlamentar de discriminar alheira de Mirandela

"Ficou claro que o Partido Socialista só tem palavras bonitas para os transmontanos, mas quando chega aos casos concretos de apoio aos produtores transmontanos, vota contra", salientou.

O deputado do PSD por Bragança, José Silvano, acusou hoje a maioria parlamentar de discriminar a alheira de Mirandela ao reprovar, na Assembleia da República, uma proposta social-democrata de incentivos aos produtores.

Os dois eleitos do PSD por Bragança apresentaram em janeiro um projeto de resolução a pedir ao Governo socialista, entre outras medidas, que durante dois anos, em 2016 e 2017, fosse criada uma linha de crédito de 30 milhões de euros, a redução do IVA destes enchidos para seis por cento e da Taxa Social Única (TSU) paga pelas empresas para 20,75%.

O projeto foi aprovado e secundado por outras iniciativas idênticas dos partidos de esquerda, porém, segundo o deputado José Silvano, natural de Mirandela, o texto final conjunto hoje votado no parlamento não contempla nenhuma medida dos sociais-democratas e "apresenta apenas generalidades" de iniciativas parlamentares do PS, Bloco de Esquerda e PCP.

"Achamos injusto não aceitar as nossas medidas concretas", afirmou à Lusa José Silvano, concretizando que a maioria parlamentar de esquerda alegou não haver verbas e não poder mexer nas contribuições".

O social-democrata contesta os argumentos, lembrando que ainda na semana passada "o Governo socialista aprovou medidas concretas para os produtores de leite e carne de suíno, mas reprovou medidas concretas para os produtores de alheiras transmontanos"

"Ficou claro que o Partido Socialista só tem palavras bonitas para os transmontanos, mas quando chega aos casos concretos de apoio aos produtores transmontanos, vota contra. Uns são filhos, outros enteados. Nós, transmontano continuamos a ser discriminados", considerou.

O projeto de resolução do PSD a pedir medidas foi discutido e aprovado, em plenário, em fevereiro, e surgiu na sequência dos prejuízos causados ao enchido, que movimenta 30 milhões de euros por ano apenas em Mirandela, pelos casos de botulismo alimentar (intoxicação) divulgados, em setembro, pelas autoridades nacionais.

Os produtores da certificada alheira de Mirandela, detentora da proteção comunitária Indicação Geográfica Protegida (IGP), sofreram os efeitos da polémica com os cinco casos de botulismo associados pelas autoridades nacionais a alheiras de uma empresa de Bragança, a "Origem Transmontana".

A coincidência do produto e a abrangência do nome da empresa criou desconfiança geral no mercado com o cancelamento imediato de encomendas aos maiores produtores da alheira, que movimenta anualmente em toda a região 100 milhões de euros, 30 dos quais apenas no concelho de Mirandela, distrito de Bragança.

Segundo a descrição feita naquela ocasião, "as vendas caíram a pique nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2015, a produção reduziu-se, nalguns casos em 80%, e muita produção acumulada foi destruída por razões de escrupulosa segurança".

A alheira de Mirandela é responsável por "cerca de duas centenas de fábricas espalhadas pelos diversos concelhos dos distritos de Bragança e Vila Real, em especial, Mirandela, Vinhais, Bragança, Chaves, Boticas e Montalegre, geradoras de mais de um milhar de postos de trabalho diretos e de um número muito mais vasto de postos de trabalho indiretos".

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