PS quer explicações sobre aumento de salários de gestores públicos

Os vencimentos dos gestores da aviação civil nomeados por Passos aumentaram graças a uma alteração feita nos últimos dias do antigo governo, mas com retroativos até julho

O dirigente socialista João Galamba afirmou hoje aguardar explicações do PSD e do CDS-PP sobre "a decisão" do anterior Governo de aumentar em outubro passado alguns gestores públicos na ordem dos 150 por cento.

Este desafio foi lançado pelo porta-voz do PS em reação à notícia hoje avançada pelo Jornal de Notícias, segundo a qual o anterior executivo aprovou um aumento do salário de três membros do conselho de administração da entidade reguladora da aviação civil em cerca de 150 por cento.

De acordo com os dados avançados pelo mesmo jornal, na sequência desta decisão a remuneração mensal do presidente Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), subiu de 6.030 euros para 16.075, o salário do vice-presidente aumentou de 5.499 euros para 14.468 euros e o da vogal passou de 5.141 euros para 12.860.

De acordo com João Galamba, hoje "esperava-se que o PSD viesse explicar publicamente os contornos das notícias publicas, que dão conta de aumentos salariais de alguns gestores públicos em mais de 150 por cento, decisão tomada nos últimos dias do seu Governo".

"Aguardamos explicações do PSD e do CDS-PP sobre esta informação, que revela mais uma vez a duplicidade do comportamento da direita", considerou o membro do Secretariado Nacional do PS.

Os três membros da administração foram nomeados por membros do governo de Passos Coelho e iniciaram funções no verão do ano passado, altura em que o INAC passou a denominar-se ANAC. Segundo o JN, o processo de indigitação foi controverso e não agradou à Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP) e nem à Comissão de Economia e Obras Públicas da Assembleia da República.

O salário dos gestores foi revisto em outubro pela Comissão de Vencimentos da ANAC, constituída por três elementos eleitos para essas funções: Luís Manuel Santos Pires, escolhido pela então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque; Eduardo Miguel Vicente de Almeida Cardadeiro, escolhido pelo ministro da Economia, António Pires de Lima; e Luís António Fonseca de Almeida, escolhido pelos administradores da ANAC.

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