PS nega que esteja tentado a romper os acordos com BE e PCP

Apesar de surgirem nas intenções de voto no limiar da maioria absoluta, os socialistas garantem que o acordo com os parceiros à esquerda está de pedra e cal.

O PS nega qualquer tentação de romper os acordos com o BE e o PCP mesmo que vislumbre uma maioria absoluta nas eleições legislativas. Pelo menos é isso que garantiu ontem o líder parlamentar socialista Carlos César ao comentar os resultados da sondagem da Universidade Católica para o DN, JN, Antena 1 e RTP. "Não existe perigo nesse domínio. Estamos empenhados que tudo corra bem", afirmou ao DN.

Os 43% de intenção de voto no PS expressos na sondagem não alteram a dinâmica da "aliança" assegura Carlos César. "Sentimo-nos muito bem nesta solução, que é estável" e todos os parceiros "estão confortáveis", diz. Do bom resultado conseguido pelo seu partido, o deputado socialista encontra explicação "na apreciação muito positiva da atividade do governo e da maioria parlamentar que lhe está associada" nos contactos que tem feito pelo país. "Confiamos mais na nossa intuição sobre o sentimento das pessoas e dos agentes económicos".

O parceiro do governo que deu maior queda nas intenções de voto (de 11% para 8%) em relação aos resultados eleitorais de 2015, o BE desvaloriza os resultados porque as "sondagens são pinceladas da realidade", como diz o líder da bancada do Bloco. Para Pedro Nuno Santos há agora uma uma "maior confiança" da população na maioria de esquerda e frisa que as políticas que estão a ser levadas a cabo, de reposição de rendimentos, "não estariam a acontecer se o PS tivesse maioria absoluta". É ainda mais taxativo: há diferença na forma como o PS governa e isso "resulta da influência do BE". Sendo que a maioria de esquerda está a provar que "havia alternativas" às políticas do PSD/CDS.

O PCP, que deu um tombo mais ligeiro nas intenções de voto, apenas de um ponto percentual (de 7% para 6%) tem sobre as "sondagens uma dúvida razoável. O líder comunista recordou, por exemplo, os erros de previsão nas últimas eleições regionais dos Açores. Outro deputado do PCP, António Filipe, preferiu sublinhar o elevado número de indecisos.

O DN não conseguiu nenhuma reação do PSD à sondagem. O partido de Pedro Passos Coelho não saiu bem tratado desta sondagem, ao apenas conseguir 30% nas intenções de voto, o que é um resultado muito aquém dos 38,5% que tinha conseguido em coligação com o CDS em outubro de 2015.

O CDS fica-se pelos 6% no estudo da Universidade Católica, valor que foi relativizado pelo partido. O líder parlamentar centrista lembra que "as sondagens enganam-se sempre para o lado do CDS". Admite que os resultados obtidos pelo PS sejam fruto da reposição de de rendimentos. "É natural que as pessoas estejam satisfeitas", mas adverte: "vemos ver no que isto dá e já agora que não tenham de ser sempre os mesmos a arrumar a casa".

A sondagem foi publicada na véspera do primeiro aniversário do governo, dia em que o primeiro-ministro deu uma entrevista à Lusa, em que afirma não sentir necessidade de rever o acordo com o BE, ainda que o partido de Catarina Martins o tenha pedido. António Costa rejeitou que esteja bloqueado pelos parceiros de esquerda no ímpeto reformista do Estado social.

Costa assegurou que "após um ano podemos dizer que não só cumprimos aquilo que prometemos , como há resultados que demonstram que a opção foi certa". O líder do Governo rejeitou ainda a ideia de ter preconizado um modelo de substituição das exportações pela procura interna e afirmou que o país já "inverteu o ciclo descendente" no crescimento económico que vinha do segundo semestre de 2015.

António Costa aceitou ainda comentar as palavras de José Sócrates que o definiu como um "líder em formação", que interpretou com alguma ironia, dizendo que se sentiu "mais jovem". Elogiou ainda o Presidente da República porque, disse, tem contribuído para o clima de serenidade.

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