PS faz depender regionalização de consenso prévio com o PSD

Socialistas só avançarão para consulta popular depois de se entenderem com o PSD sobre mapa das regiões e sobre as suas competências. No PSD a fractura é total e Marcelo já sugeriu referendo interno

O PS só avançará com uma proposta de convocação de um referendo sobre a regionalização se, previamente, obtiver um consenso com o PSD sobre o mapa a propor e sobre as competências das futuras regiões administrativas.

"O PSD é fundamental", avançou ontem fonte do Executivo liderado por José Sócrates. Os socialistas pretendem alavancar neste consenso prévio a possibilidade de um referendo mobilizador e, desta vez, bem sucedido, na óptica dos que defendem a regionalização (na consulta popular de 1998, o "não" ganhou em todas as regiões e, além do mais, não se obteve o mínimo de participação popular vinculativa, 50% dos eleitores).

Para já, no entanto, a regionalização está longe de ser uma prioridade para o PS. Qualquer iniciativa só deverá ser desencadeada depois das eleições presidenciais (início de 2011). O PS vai propor um mapa de cinco regiões , que coincide com o das CCDR (comissões de coordenação regionais). Na revisão constitucional de 1997, tornou-se obrigatório que a regionalização seja precedida de um referendo.

No programa eleitoral com que se apresentou às legislativas, o PS já referia a necessidade de "consensos" a propósito da regionalização: "Entre 2009 e 2013 importa consolidar a coordenação territorial das políticas públicas, como processo preliminar gerador de consensos alargados em torno do processo de regionalização", lia-se no documento, numa formulação que foi integralmente copiada para o programa de Governo.

No PSD, o dossier regionalização é completamente fracturante. Tanto há quem se oponha veementemente - por exemplo, a actual líder, Manuela Ferreira Leite - como quem defenda entusiasticamente - por exemplo, Mendes Bota, líder do PSD do Algarve. No PSD do Norte a regionalização tem também fortes defensores, como Marco António Costa, líder da distrital do Porto, ou Luís Filipe Menezes, ex-líder do partido e presidente da câmara municipal de Vila Nova de Gaia. Rui Rio, presidente da câmara do Porto e vice-presidente da comissão política nacional do PSD, já foi apoiante do "não" mas agora parece em trânsito para o "sim".

O facto deste tema ser fracturante no partido reflectiu-se na formulação vaga escolhida para o programa eleitoral que o partido levou a votos nas últimas eleições legislativas: "Não utilizaremos a regionalização como 'arma de arremesso' política nem forçaremos um novo processo político nesse sentido se e enquanto os Portugueses não se pronunciarem favoravelmente em novo referendo", lia-se no documento.

As divisões são tantas que Marcelo Rebelo de Sousa já propôs que a posição oficial do partido só seja definida depois de se fazer um referendo interno.

Essa foi aliás uma das propostas de Pedro Passos Coelho nas eleições directas internas que disputou em Maio de 2008 e que levaram Manuela Ferreira Leite à liderança do partido.

O actual líder parlamentar dos sociais-democratas, José Pedro Aguiar-Branco, comentou a proposta de Marcelo Rebelo de Sousa dizendo que bastaria uma reunião do Conselho Nacional do partido para definir a sua posição oficial face a este dossier.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Estou a torcer por Rio apesar do teimoso Rui

Meu Deus, eu, de esquerda, e só me faltava esta: sofrer pelo PSD... É um problema que se agrava. Antigamente confrontava-me com a fria ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, e agora vejo a clarividente e humana comentadora Manuela Ferreira Leite... Pacheco Pereira, um herói na cruzada anti-Sócrates, a voz mais clarividente sobre a tragédia da troika passista... tornou-se uma bússola! Quanto não desejei que Rangel tivesse ganho a Passos naquele congresso trágico para o país?!... Pudesse eu escolher para líder a seguir a Rio, apostava tudo em Moreira da Silva ou José Eduardo Martins... O PSD tomou conta dos meus pesadelos! Precisarei de ajuda...?

Premium

arménios na síria

Escapar à Síria para voltar à Arménia de onde os avós fugiram

Em 1915, no Império Otomano, tiveram início os acontecimentos que ficariam conhecidos como o genocídio arménio. Ainda hoje as duas nações continuam de costas voltadas, em grande parte porque a Turquia não reconhece que tenha havido uma matança sistemática. Muitas famílias procuraram então refúgio na Síria. Agora, devido à guerra civil que começou em 2011, os netos daqueles que fugiram voltam a deixar tudo para trás.