Protocolo quebrado mais uma vez: Hollande condecorou emigrantes portugueses

O Presidente francês foi à câmara municipal de Paris, associando-se às celebrações do Dia de Portugal

Um Presidente de França a entregar a emigrantes portugueses condecorações atribuídas por um Presidente português; as duas principais figuras da hierarquia do Estado português - o Presidente da República e o primeiro-ministro - a celebrarem o Dia de Portugal numa capital estrangeira, Paris; e os dois a discursarem não em português mas em francês (Costa totalmente, Marcelo em parte).

Foi assim a celebração do Dia de Portugal na câmara municipal de Paris, com António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa representando Portugal, e o Estado francês presente através do seu Presidente da República, François Hollande, e da "maire", Anne Hidalgo.

Hollande deixou duas promessas: um julho visitará Portugal (mas ressalvou logo que não será no dia nacional francês, o 14 de julho); e nas escolas francesas o ensino do português será reforçado em larga escala.

Mas não só: garantiu que Portugal terá na França, no conselho europeu, um país "amigo". E os dois países são solidários entre si na ideia de que "a Europa não são só regras económicas, é também um projeto de civilização".

De resto, Hollande elogiou e agradeceu a pronta disponibilidade portuguesa para ir assistir a França na operação militar que está a decorrer no Mali, os portugueses que nos atentados de Paris ajudaram feridos com "grande coragem e sangue frio", recordou o esforço luso ao lado dos franceses na I Guerra, falou de Amália, de Zeca Afonso, da ajuda de Aristides de Sousa Mendes judeus franceses e, sobretudo, da "formidável capacidade" de inserção na sociedade francesa que os emigrantes portugueses revelaram.

Marcelo Rebelo de Sousa, pelo seu lado, sublinhou como Portugal e França estão irmanados em defesa de valores como "a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a democracia, à lealdade à república e ao Estado Social de Direito". E depois centrou-se na comunidade portuguesa em Paris: "A capital de França é de certa forma uma capital de Portugal".

Lembrando que ele próprio tem família no estrangeiro - "todos os meus netos vivem fora, penso neles com emoção" - multiplicou-se em elogios aos portugueses que a partir do início dos anos 60 do século passado emigraram para França. "Aqueles que aqui estão são o melhor de Portugal. A França não esquece e Portugal esquece menos. Vós sois do melhor de Portugal."

Marcelo discursou primeiro em francês e depois em português. Antes dele, António Costa tinha discursado exclusivamente na língua do país anfitrião. Dirigindo-se diretamente ao Presidente Hollande, sublinhou o que os une nas questões europeias. "Partilhamos uma visão comum da União Europeia. É preciso aprofundar a Europa", afirmou. Acrescentando depois terem também em comum "a esperança de que a Europa não seja um sonho do passado".

No final, Marcelo e Hollande entregaram a Ordem da Liberdade a quatro emigrantes portugueses - Margarida Santos Sousa, Manuela e José Gonçalves e Natália Syed - que nos atentados de Paris em novembro passado assistiram pessoas que fugiram do "Bataclan", a sala de espetáculos onde terroristas jihadistas franceses fizeram mais de oito dezenas de mortos.

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