Professores são sujeitos a "trabalho escravo"

Fenprof denuncia falta de pagamento a professores de Atividades de Enriquecimento Curricular.

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) denunciou hoje que há professores de Atividades de Enriquecimento Curricular sem receber qualquer salário no final do primeiro período de aulas, defendendo que a municipalização da educação vai agravar estas situações.

"Afinal, o Natal não é para todos/as: terminado o 1º período letivo há profissionais das AEC que ainda não receberam qualquer salário", afirma a Fenprof em comunicado.

A estrutura sindical tem recebido denúncias de não pagamento aos técnicos e professores que asseguram Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) em diversos pontos do país.

"Esta modalidade dita de escola a tempo inteiro, tem vindo a ser assegurada com trabalho extremamente precário e muitas vezes pago por valores muito baixos e quase sempre com atraso", recorda a federação.

As AEC são, em última instância, da responsabilidade do Ministério da Educação e Ciência (MEC) que transfere verbas para autarquias, para empresas criadas exclusivamente para o efeito, para agrupamentos de escolas ou associações de pais, dependendo de quem é responsável pela sua promoção, sublinha a Fenprof.

"De acordo com as denúncias recebidas, mais uma vez o atraso na transferência de verbas chega ao final do primeiro período, sendo disso vítimas pessoas que não podem adiar as suas vidas, nem adiar o pagamento de despesas necessariamente feitas", frisa a federação sindical.

Para a Fenprof, mais do que trabalho precário, estes profissionais estão a ser sujeitos a "trabalho escravo".

À Fenprof têm também chegado queixas de entidades que, "querendo pagar salários, não têm, até à data, as verbas para o efeito, uma vez que o MEC ainda não efetuou a transferência" dos valores necessários.

"Há, inclusive, entidades que já recorreram a empréstimos bancários para assegurar o pagamento de parte do que é devido aos profissionais das AEC que, de outra forma, estariam desde setembro sem receber", lê-se no comunicado.

Segundo a Fenprof, esta situação demonstra o que poderá vir a acontecer num processo de transferência de competências para os municípios que confiarem que o governo "age de boa-fé e honra os seus compromissos".

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