Professor de Chaves foi eleito o melhor em Portugal e recebe prémio de 30 mil euros

O valor pecuniário entregue pelo Global Teacher Prize Portugal foi entregue a José Teixeira, professor de Física e Química, que o irá aplicar num projeto de ensino experimental que está a desenvolver

Um professor de Chaves venceu o Global Teacher Prize Portugal, no valor de 30.000 euros, afirmando que encarava a distinção como um estímulo para os professores do interior, face às dificuldades que enfrentam.

Em declarações à agência Lusa no final da cerimónia de atribuição do prémio, em Lisboa, José Teixeira, professor de Física e Química, revelou que o valor do prémio será aplicado no projeto de ensino experimental que tem vindo a desenvolver e que possivelmente será alargado a outras escolas.

"No ensino formal temos programas extremamente longos, tento articular com o ensino experimental", disse aos jornalistas no final do evento.

Ao receber o prémio, José Teixeira começou por defender que todas as aulas devem começar com humor e afirmou que concorreu por si e por todos os professores do interior, pelas dificuldades que enfrentam.

"Trabalhamos 22 horas letivas e muitas outras", disse o professor, referindo outras questões que acabam por afetar a vida dos habitantes do interior, como os incêndios, a seca, a escassez de meios e transportes. "Antes de vir para aqui já dei as aulas de segunda, de terça, de quarta, de quinta? Estou esgotado".

O discurso foi interrompido com a entrega do prémio.

Professor desde 1994, considerou que o prémio é "um incentivo para os professores do interior". O docente fundou um Clube de Ensino Experimental das Ciências.

Um dos professores que subiu ao palco e que não pode ficar até ao final da cerimónia porque tinha alunos para treinar fez um apelo aos representantes da Assembleia da República para que contabilizem todos os anos de serviço dos docentes, no âmbito do descongelamento da carreira.

"Fomos nós que aguentámos a fome e as crises nas escolas. Descongelem a nossa carreira, porque é o nosso trabalho", declarou Paulo Barrigana, professor de educação física, num breve, mas emotivo discurso, em que alertou para os problemas vividos nas escolas.

Professor, há 30 anos, está inserido numa escola de Sintra e dedica-se atualmente a projetos desportivos.

O prémio hoje atribuído constitui a primeira edição em Portugal de uma iniciativa existente a nível internacional e é de iniciativa privada.

Convidado a participar no encontro, o secretário de Estado da Educação, João Costa, enviou uma mensagem através de Skype, em que afirmou que o país tem "uma dívida de gratidão" para com os professores que estão todos os dias nas escolas.

Citando Nelson Mandela, o governante afirmou que a educação é a melhor arma para transformar o mundo e sustentou que sem transformadores essa arma não existe.

Ler mais

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.