Produtores de cerveja aplaudem redução de bebedeiras

Os produtores de cerveja congratularam-se hoje com os dados que indicam uma diminuição das bebedeiras entre os jovens portugueses, considerando que o facto demonstra que o importante não é a alteração da idade mínima de consumo de bebidas alcoólicas.

"A Associação Portuguesa de Produtores de Cerveja (APCV) congratula-se com os resultados do estudo nacional (realizado junto de 6.000 portugueses), onde se verifica que a prevalência de bebedeiras entre os jovens dos 15 aos 19 anos diminuiu 50% entre 2007 e 2012", refere um comunicado hoje enviado à agência Lusa.

Para os produtores, estes dados "mostram que não são alterações legislativas na idade mínima legal de consumo que fazem a diferença nos comportamentos daqueles que abusam".

Os dados preliminares do inquérito, que apontam para uma redução da prevalência de embriaguez entre os jovens e a população geral, foram divulgados na quinta-feira, pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), numa sessão do Fórum Nacional Álcool e Saúde.

Nesse mesmo dia, o Fórum contestou a decisão do Governo, de permitir o consumo de algumas bebidas alcoólicas, como a cerveja, a jovens a partir dos 16 anos, classificando-a como uma medida sem bom senso.

A posição não foi unânime, uma vez que o representante dos produtores de cerveja votou contra esta posição do Fórum, que integra organismos como o SICAD e a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.

O Fórum contestava a aprovação, em fevereiro, em Conselho de Ministros, de um decreto-lei que aumenta a idade mínima da venda e consumo de bebidas espirituosas para 18 anos, mantendo-a nos 16 anos, nos casos do vinho e da cerveja.

"É convicção da Associação de Produtores de Cerveja que a principal responsabilidade no papel educativo dos jovens sobre o adequado consumo de álcool compete aos pais e à família, embora o mesmo deva ser complementado pelo Estado, nomeadamente na definição legal da idade mínima, que veio agora, e bem, diferenciar aquilo que é o consumo de bebidas fermentadas, com baixo teor de álcool, como é a cerveja e o vinho, do consumo de bebidas de forte teor alcoólico", segundo uma declaração de António Pires de Lima, presidente da Associação, escrita no comunicado enviado à Lusa.

Estes resultados reforçam a estratégia da APCV e do setor cervejeiro nacional, conforme ontem reafirmou Francisco Gírio, secretário-geral da Associação, durante o Fórum Álcool e Saúde, do qual a APCV é membro fundador: "Independentemente dos 16 ou 18 anos, o grande desafio é implementar estratégias que realmente alterem comportamentos entre os jovens, e isso passa obrigatoriamente pela aposta na educação e formação, nomeadamente em ambiente familiar".

O comunicado da associação que representa o setor cervejeiro alega ainda que a nova legislação aproxima Portugal da realidade de países como a Áustria, Bélgica, Alemanha, Itália, Malta, Suíça e Noruega.

Para o Fórum Nacional Álcool e Saúde, a lei devia proibir o consumo e venda de qualquer bebida alcoólica a menores de 18 anos, independentemente do tipo de bebida, como chegou a ser defendido pelo próprio secretário de Estado da Saúde.

"Fomos surpreendidos com esta diferenciação, que nem a evidência científica nem o bom senso conseguem justificar", refere o documento aprovado na quinta-feira, pelo Fórum, que teve a concordância do presidente do SICAD e do representante da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.

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