Procura nos politécnicos sobe para níveis pré-troika

Governo aumentou vagas no interior do país, com mais lugares abertos na 1.ª fase, uma opção estratégica do ministro do Ensino Superior

A "crise" no ensino superior politécnico - que coincidiu no tempo com a crise financeira que atingiu o país - parece estar a chegar ao fim. Depois de terem sido os principais afetados por um ciclo de quebra nas candidaturas, que chegaram a ficar abaixo das 11 700 há quatro anos, os institutos politécnicos têm vindo a recuperar terreno. E este ano, caso se confirme a tendência, poderá mesmo ser um dos melhores da década para este subsistema de ensino.

Um ano recordista em termos de entradas será difícil, mas não impossível. Sobretudo se, ao aumento das entradas através das três fases do concurso nacional - potenciadas por uma ligeira melhoria nas notas dos exames do secundário que servem de provas de ingresso e afetam as médias de candidatura -, se juntar o aumento da procura através de outros regimes, como os concursos especiais para maiores de 23 anos e o acesso de titulares de cursos técnicos superiores profissionais, cujo contingente continua a aumentar.

"Houve uma quebra muito grande em 2012, 2013 e 2014 nos candidatos ao ensino superior, nomeadamente através do concurso nacional de acesso", reconhece Nuno Mangas, presidente do Instituto Politécnico de Leiria e do conselho coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). "Mas, nos últimos dois, três anos, houve uma inflexão clara", acrescenta.

No ano passado, entre universidades e politécnicos, o número de candidatos na 1.ª fase não ficou muito abaixo do total de vagas. E em 2017-18, apesar do aumento para 50 838 vagas (22 414 das quais nos politécnicos), Nuno Mangas confia que a história se irá repetir.

"Acredito que neste ano o número de candidatos voltará a aproximar-se do número das vagas", assume. "No ano passado [o número, após as diferentes fases de acesso] até se aproximou mais nos politécnicos do que nas universidades." Por cautela, acrescenta, será seguro dizer que pelo menos o número de candidatos se irá manter, apesar de a esperança ser de que "haja um ligeiro crescimento".

Quanto à aposta do governo em aumentar vagas no interior do país, traduzida nos lugares abertos na 1.ª fase e assumida como uma opção estratégica pelo ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, Nuno Mangas considera-a "um sinal importante" mas que "levará algum tempo" a produzir efeitos.

Sobrinho Teixeira, presidente do Politécnico de Bragança, também aponta para uma ligeira subida dos candidatos na 1.ª fase. "A minha perspetiva é que iremos ter uma entrada semelhante, podemos crescer 500 a 1000 alunos", diz, defendendo que, mais do que por questões de situação económica, as candidaturas dos alunos são muito influenciadas pelos exames. " O que é determinante são as classificações do 12.º ano, em disciplinas nucleares como Matemática, Português, Biologia e Física e Química", refere.

Mas o presidente do Politécnico de Bragança - um dos institutos que mais sentiram a redução das candidaturas na 1.ª fase no início da década - também rejeita resumir a procura aos concursos nacionais, os quais considera darem uma visão "errada e contraproducente" da realidade do sistema.

Como exemplo, aponta a instituição que lidera. "O concurso nacional de acesso representou, no ano passado, 44% das entradas no Politécnico de Bragança", conta.

A médio prazo, ainda que esperando sinais positivos já no próximo ano letivo, Sobrinho Teixeira aposta sobretudo num crescimento da procura através dos regimes especiais e da parte dos 25 mil alunos que estão a terminar cursos profissionais do secundário e podem seguir para cursos técnicos superiores profissionais (TESP), onde já estão sete mil estudantes, muitos dos quais com intenção de prosseguir estudos.

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