Problemas no primeiro dia da escolha da especialidade pelos médicos

Ordem dos Médicos critica Administração Central do Sistema de Saúde [Notícia atualizada]

Os médicos internos do ano comum começaram hoje a escolher a especialidade que vão tirar durante os próximos anos. Mas o processo está a decorrer com inúmeros problemas que começaram pelo atraso na publicação do mapa final de vagas. Os médicos, Ordem e o Sindicatos já vieram dizer que o concurso não reúne condições, apontando irregularidades como a ausência de nomes de alguns médicos das listas, problemas informáticos ou o início da escolha antes ainda da publicação do mapa.

"No decorrer do Concurso para ingresso na Formação Específica que está a decorrer, com graves incongruências, vimos por este meio pedir que nos enviem situações específicas destas irregularidades, quer nas listas de seriação que omitem o nome de alguns colegas, quer no calendário de escolhas que tem inicio ainda sem o mapa de vagas final", refere o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) na página de facebook.

O processo terá começado mais perto das 18 horas e, apesar das tentativas, o mapa ainda continua a não ter vagas para perto de cem candidatos.

A hora prevista de início da escolha da especialidade era às 14:30, mas a Administração Central do Sistema de Saúde acabou por adiar para as 16 horas. João Paulo Farias, o presidente do Conselho Nacional do Internato Médico (CNIM), da Ordem dos Médicos, criticou esta opção. "A escolha acabou por começar perto das 18 horas. É lamentável. A Ordem pediu para que fosse adiada para amanhã, até porque não faria grande diferença, mas a ACSS não quis. Não faz sentido. Há médicos que não têm tempo para fazer as escolhas, alguns têm de mudar de local de formação, tratar de alojamento e não têm tempo", lamenta. "No final, tudo se resolve, como sempre".

O SIM também considera que o concurso não reúne as condições para que os Internos escolham a sua vaga, "com o devido tempo de reflexão para uma escolha informada e consciente". E apela aos médicos que enviem por mail os problemas que têm identificado para evitar "que se perpetuem concursos como estes."

De acordo com a última lista de candidatos e o mapa de vagas publicado pela ACSS, ainda há 128 candidatos que correm o risco de ficar sem acesso à especialidade este ano Mas João Paulo Farias diz que o número é mais reduzido. "Serão menos de cem, porque há hospitais que se atrasaram a mandar o número final de candidatos e a OM ainda conseguiu encontrar algumas vagas".

Ao todo são mais 14 do que estavam no mapa de ontem. Beneficiada foi a Medicina Geral e Familiar, com mais oito vagas. A publicação do mapa final desta especialidade e dos centros de saúde abrangidos apenas hoje se tornou pública, o que também contribuiu para ao atraso. Até dia 4 de dezembro, haverá tempo para escolher, mas mesmo que haja desistência, João Paulo Farias diz que, desta vez, "é certo que haverá médicos sem especialidade".

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