Presidente continua à espera de resultados sobre furto em Tancos

Marcelo lembra na posse do novo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas que Ministério Público lidera investigação desde o início do caso, em junho de 2017.

O Presidente da República disse esta quinta-feira que continua a querer saber o que se passou no furto de material de guerra em Tancos.

Marcelo Rebelo de Sousa, que discursava na posse do almirante Silva Ribeiro como novo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), considerou que a investigação interna do Exército "não nos deve fazer desistir de esperar que se vá mais longe e fundo".

O Comandante Supremo das Forças Armadas lembrou que "a instância de investigação especializada chamou a si a matéria desde o primeiro momento", pelo que "certamente da sua colaboração com as Forças Armadas resultará a luz que a todos importa".

Após assinalar que nos últimos anos foi necessário "fazer pedagogia interna e externa" para "explicar à sociedade civil como são e agem as Forças Armadas e às Forças Armadas como devem agir e esclarecer a sua ação", o Chefe do Estado sublinhou que o inquérito do Exército "não permitiu identificar cabalmente quem e como agiu" nem o "eventual nexo de causalidade" daquela ocorrência.

"Esse apuramento pelas estruturas" do ramo apenas "permitiu identificar omissões, insuficiências ou erros estruturais antigos, propor e decidir mudanças imediatas, de procedimento, detetar algumas falhas individualizadas, concretas e punidas", constatou Marcelo Rebelo de Sousa.

Numa cerimónia que se iniciou com 15 minutos de atraso, perante as mais figuras do Estado, o novo presidente do PSD e antigos chefes militares, Marcelo começou por declarar que a política de Defesa Nacional "tem sido sempre uma política de regime e por isso, no essencial é partilhada" pelo Presidente da República, pelo Parlamento e pelo Governo.

"Debalde se procurará divergências nessas grandes linhas entre os órgãos de soberania com funções político-legislativas", afirmou o Chefe do Estado, acrescentando que "a mesma sintonia existe no reconhecimento do papel singular" das Forças Armadas na afirmação da identidade de Portugal e como "fator de coesão social, territorial e intergeracional".

Marcelo frisou ainda haver "empenho conjunto dos órgãos de soberania, em particular do Governo" e com o Parlamento, "na reflexão" sobre o reequipamento das Forças Armadas, o reforço das capacidades nos três ramos ou no "avanço do cumprimento das metas assumidas" no quadro da NATO quanto à percentagem do PIB (2%) afeta à Defesa.

"Estamos todos bem atentos à necessidade de acentuar tudo quanto reforce o papel, o prestígio e a unidade das Forças Armadas e o seu entrosamento com os portugueses e de prevenir e evitar tudo quanto atinja tais objetivos essenciais", prosseguiu Marcelo Rebelo de Sousa, que depois de empossar o almirante Silva Ribeiro como CEMGFA fez o mesmo com o novo Chefe do Estado-Maior da Marinha, almirante Mendes Calado (numa cerimónia breve e sem discursos).

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