Tensão política? "Daqui a uma semana, um mês, seis meses, já ninguém fala disso"

O Presidente da República português esteve numa visita de Estado no Egito, onde comentou a tensão política entre o Governo e os partidos

Marcelo Rebelo de Sousa, relativizou esta sexta-feira, no Cairo, o clima de tensão política em Portugal por causa do Programa de Estabilidade e o Orçamento, dizendo que "tudo é relativo, muito relativo".

"Tenho por hábito não comentar no estrangeiro o que se passa em Portugal, mas aqui, sentindo o que sentimos, percebemos que é tudo relativo, muito relativo. Aquilo que parece muito importante, muito grave num dia, numa semana, num mês, daí a uma semana, um mês, seis meses, já ninguém fala disso", afirmou o chefe de Estado, após uma visita em 'passo de corrida' às pirâmides de Gizé.

Marcelo Rebelo de Sousa falou aos jornalistas enquadrado pelas milenares pirâmides de Gizé e pela sua famosa esfinge sem nariz para fazer um balanço da visita de Estado de três dias ao Egito, que termina esta sexta-feira, acabando também por comentar a situação política em Portugal.

A inscrição da meta de 0,7% de défice para 2018, no Programa de Estabilidade, tem gerado nos últimos dias alguma tensão entre o Governo e os partidos que o apoiam no parlamento

O Bloco de Esquerda (BE) não aceita que o Governo inscreva esta meta, mas, na quinta-feira à noite, o primeiro-ministro, António Costa, já avisou que a redução sustentada do défice "é absolutamente decisiva para a redução da dívida e para que o país continue a poupar dinheiro que gasta em juros, podendo assim aplicar essa poupança no essencial".

"Temos conseguido fazer isto sem sacrificar nenhum dos compromissos com a União Europeia, sem sacrificar nenhum dos compromissos com os portugueses e sem sacrificar nenhum dos compromissos com os nossos parceiros parlamentares. A redução do défice não tem sido feita à custa de nenhum compromisso assumido com o Bloco de Esquerda, com o PCP ou com o PEV", sublinhou o primeiro-ministro.

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