Portuguesa suicida-se saltando do edifício mais alto do mundo

Laura Nunes morreu em novembro, depois de se atirar do 148.º andar do Burj Khalifa, no Dubai. Mãe quer respostas sobre a falta de segurança no edifício mas os proprietários remetem-se ao silêncio.

A notícia foi divulgada esta terça-feira pelo britânico Daily Mail: Laura Vanessa Nunes, uma portuguesa de 39 anos de idade, suicidou-se no passado mês de novembro, tendo conseguido iludir a segurança no edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa no Dubai, para saltar do 148.º andar. De acordo com o jornal, Laura Nunes terá sofrido um desgosto amoroso: estaria envolvida com um empresário dos Emirados Árabes que terminou a relação entre os dois.

Laura Nunes numa imagem colocada nas redes sociais

Apesar de o Burj Khalifa - que tem cerca de 800 metros de altura - ser uma popular atração turística no Dubai, a morte da portuguesa não tinha vindo a público até agora e, aparentemente, nenhuma das pessoas que estavam naquele dia no local percebeu que Laura conseguiu passar pelos estreitos espaços entre os painéis de vidro do miradouro no 148.º andar, que fica a 550 metros de altitude. O corpo da portuguesa acabou por cair no terraço de um restaurante no terceiro andar do edifício, o Amal, integrado no Armani Hotel que ocupa dez dos 163 pisos da torre.

No Dubai, a monarquia faz um controlo rigoroso da informação que é divulgada, mas a morte de Laura chegou aos jornais devido aos apelos desesperados da mãe, Leona Skyes, que viajou da África do Sul para o Emirado na tentativa de conseguir mais informações sobre a morte da filha. Porém, todos os detalhes lhe têm sido negados pela Emaar Properties, que detém o Burj Khalif.

Apesar de as autoridades lhe terem mostrado imagens das câmaras de segurança, que deixam ver Laura a lançar-se do edifício no dia 16 de novembro, um domingo à tarde - em que o restaurante Amal, onde a portuguesa caiu, deveria estar cheio de clientes - o grupo Emaar não deu resposta às suas solicitações. De forma discreta, limitou-se a melhorar a segurança no local, instalando barras que impedem os turistas de atravessar o espaço entre os painéis.

A plataforma panorâmica do edifício numa fotografia no site oficial

Citando fontes no Dubai, o Daily Mail indica que as mudanças terão sido feitas a pedido da polícia.

Laura Nunes, que era massagista e estava no Dubai com visto de turista, para tentar encontrar um emprego, estaria deprimida devido ao fim da relação intermitente com um empresário que conhecera em 2009. O casal encontrava-se sempre que Laura ia aos Emirados Árabes.

Com nacionalidade portuguesa e sul-africana, Laura convertera-se ao Islão sete meses antes de morrer - o Daily Mail apresenta mesmo o documento que atesta a conversão de Laura à nova religião.

Ao jornal britânico, a mãe de Laura diz recear que fiquem perdidas as provas dos acontecimentos que levaram a filha a decidir suicidar-se. As autoridades entregaram-lhe o telemóvel de Laura, mas sem o cartão SIM, que teria as mensagens que a portuguesa foi vista a ler na plataforma panorâmica do Burj Khalifa antes de se lançar para a morte.

Leona Skyes alega que a Emaar Properties deveria estar alerta para os riscos de suicídio: em 2011, um homem de nacionalidade indiana terá saltado do 147.º andar. "É horrível", referiu Skyes. "Infelizmente, a minha filha queria matar-se. Mas não devia ser possível alguém poder fazer isso. Como é possível existir uma atração turística de topo onde há essa hipótese?", reclama a mãe de Laura, que descreve a filha como uma mulher que se encantou pela religião islâmica, tendo mesmo adotado um novo nome - Noora - e que estava presa numa relação infeliz. Para Leona Skyes, a filha era uma pessoa particularmente vulnerável, uma vez que um problema físico à nascença no palato - que tinha entretanto corrigido - lhe criava inúmeras inseguranças devido à desfiguração facial que sofrera.

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