Portugal vai ter uma "route 66" para ligar o país de lés-a-lés

Presidente da República foi convidado a apadrinhar o projeto turístico

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi hoje convidado, no Douro, a apadrinhar o projeto turístico que quer ligar Portugal de lés-a-lés comparado à "route 66" americana.

Marcelo Rebelo de Sousa percorreu poucos dos mais de 700 quilómetros da estrada nacional 2, entre Chaves, no norte, e Faro, no sul de Portugal, e foi no concelho impulsionador do novo projeto, em Santa Marta de Penaguião, que recebeu o convite e iniciou hoje pela manhã o segundo "Portugal Próximo" por Trás-os-Montes e a Guarda, durante dois dias e meio.

Sob um sol tórrido, logo pela manhã, o Presidente foi recebido na antiga escola primária de Concieiro agora lar de três famílias que visitou e onde falou para os jovens e população que o aguardavam e recebeu o convite para apadrinhar a nova rota turística.

Santa Marta de Penaguião, nas encostas do Douro, "é terra que não se lamenta, como sublinhou o autarca local, Luís Machado, impulsionador de vários projetos, entre eles o de transformar a estrada nacional 2 num projeto turístico para unir Portugal de lés-a-lés.

O processo encontra-se em fase de formação da associação dos 32 municípios por onde passa a estrada e propõe-se criar um rota turística indicando os lugares e atrativos a visitar e desfrutar ao longo do trajeto.

Esta "é a oportunidade de unir o país", defendeu o autarca.

Já o Presidente da República aplaudiu a iniciativa e vincou que é preciso haver mais turismo, que o turismo não estraga a terra, valoriza terra, seja o turismo gastronómico, religioso, cultural, ou do vinho.

As vias de comunicação, como a nacional 2 são consideradas fundamentais para o presidente que recordou que ainda recentemente apoiou jovens das Aldeias SOS, as quais vão dar a volta ao país e que começaram por aqui.

As primeiras palavras de Marcelo Rebelo de Sousa na segunda edição do programa presidencial "Portugal Próximo" foram para a juventude, sobretudo crianças do concelho duriense que o esperavam logo pela manhã, nesta aldeia com cerca de 100 habitantes.

O Presidente explicou que começou por aqui esta volta do Portugal Próximo a pensar neles, que são o futuro desta terra, mas também nos menos jovens.

"É preciso criar condições sociais para prender as pessoas à terra", sublinhou o chefe de Estado e considerou que "a antiga escola primária transformada em habitação social é um pequeno esforço".

O Presidente da República ouviu "com muita alegria" os contributos da autarquia local, nomeadamente ao nível dos apoios sociais e das bolsas para estudantes.

"Não pode haver hoje em Portugal filhos de ricos que podem fazer os seus estudos até onde quiserem e filhos de pobres que não podem", insistiu.

Vitor Rodrigues, de 46 anos, estudou na sala da antiga escola primária de Santa Marta, que passou a ser a habitação da família de quatro pessoas há pouco mais de um mês.

Vitor e a família regressaram à aldeia muito devido a esta ajuda da Câmara e foi "com muito orgulho" que recebeu hoje em casa o Presidente da República.

"Isto não é para todos", brincou a esposa Sara Mesquita, de 34 anos, contente com a nova casa que "é sossegada".

"Parece que estamos sempre de férias aqui. Estamos na casa de férias", comparou.

De outra forma, dificilmente regressariam à aldeia, não fosse esta oportunidade de a antiga escola primária ser transformada em habitação social, acolhendo três famílias.

O Presidente Marcelo despediu-se com uma garantia: "Santa Marta já estava no meu coração, mas é diferente agora como Presidente estar convosco".

O chefe de Estado quis mostrar indo a um concelho de difícil acesso, embora o autarca local tenha insistido em não lhe chamar interior porque "o Porto está ali mesmo ao lado", que não é Presidente da República só de Lisboa, mas sim de todos os portugueses, sobretudo dos que vivem nos concelhos mais pequenos".

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