"Portugal é o segundo país que mais depende da UE para investimento público"

O eurodeputado entende que entre os projetos mais emblemáticos em que Portugal deverá envolver-se num futuro próximo está uma plataforma de energia que permita juntar forças com Espanha e França

O investimento público não deve ficar refém da Europa, diz José Manuel Fernandes. O eurodeputado, que participa na Conferência "Infraestruturas" que arranca com a celebração do 153º aniversário do DN, lembra que atualmente "apenas a Croácia" tem um investimento público mais dependente da União Europeia do que Portugal. "Afinal, para que serve o Orçamento do Estado?", questiona o representante nacional no Parlamento Europeu.

"Não podemos ficar só dependentes dos fundos estruturais. Portugal é o segundo país da Europa que, entre 2015 e 2017, é mais depende da UE para Investimento público. É impressionante, mas mais 75% do orçamento depende da UE", detalhou esta segunda-feira.

"Afinal para que serve também o Orçamento do Estado? Só a Croácia tem mais que nós. E um orçamento que é pequeno, que corresponde a 1% do PIB", questionou, acrescentando que "nós temos também de começar a dizer o que queremos fazer com o nosso OE em termos de financiamento porque é uma discussão que está esquecida e é completamente inaceitável".

O eurodeputado do PSD adverte, no entanto, que Portugal deve também olhar para o papel do Banco de Fomento, numa altura em que se programa o novo quadro comunitário de apoio muito baseado em linhas de financiamento. "Nós estamos a ser criminosos ao não utilizarmos o Banco de Fomento. Porque o futuro dos próximos fundos, muito do que vão ter, são os instrumentos financeiros, e os países que não têm bancos de desenvolvimento com experiência terão de avançar para isso".

José Manuel Fernandes entende que entre os projetos mais emblemáticos que Portugal em que deverá envolver-se num futuro próximo está uma plataforma de energia que permita juntar forças com Espanha e França. "A união de energia, Portugal como porta de entrada de gás natural, por exemplo. Era um esforço que devíamos fazer", mas também uma plataforma José Manuel Fernandes: "Portugal é o segundo país que mais depende da UE para investimento público"

Ler mais

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.