Ponte 25 de Abril é a "mais segura" do país

Dois relatórios do Instituto de Soldadura e Qualidade e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) indicarem a necessidade de realização de obras a curto prazo

O presidente das Infraestruturas de Portugal (IP), António Laranjo, garantiu hoje no Parlamento que a Ponte 25 de Abril é "a mais segura das 7.200 do sistema de gestão de obras de arte", sendo monitorizada diariamente por ser a mais utilizada.

António Laranjo foi hoje ouvido na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, por requerimento oral do PS, sobre um estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) relativo ao estado de conservação da Ponte 25 de Abril (entre Lisboa e Almada, no distrito de Setúbal) e que aponta a necessidade de intervenções na infraestrutura.

"A Ponte 25 de Abril é a obra de arte mais segura da rede. É utilizada por cerca de 100 milhões de passageiros, ou seja, cerca de 10 vezes a população de Portugal. Aquela que mais intervenções sofreu nos últimos anos, não só no alargamento que sofreu entre 1995 e 1999, mas também para o caminho de ferro", disse António Laranjo.

O presidente da IP enumerou aos deputados os concursos e empreitadas que fazem parte das obras já orçadas, acrescentando que 10 empresas demonstraram interesse relativamente ao contrato da empreitada principal, cujo concurso é internacional e no valor de 18 milhões de euros.

António Laranjo explicou ainda na comissão que a "obra tem de ser feita", mas lembrou que para a IP "no calendário dos trabalhos não se trata de uma obra emergente, nem urgente, mas sim uma obra de prioridade".

"Se fosse emergente era de imediato, o que não é o caso. Se fosse urgente não teria passado este tempo", justificou, sublinhando que a monotorização que é feita dá "garantia de que [a ponte] está em condições", pelo que não foi necessário fazer obra "com outro tipo de restrições de trânsito".

Os deputados afirmaram, durante a audição, ao presidente da IP não quererem contribuir para o alarmismo sobre o estado de conservação da Ponte 25 de abril, depois de dois relatórios do Instituto de Soldadura e Qualidade e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) indicarem a necessidade de realização de obras a curto prazo.

O presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), aquando da sua audição na comissão de Economia, assegurou que a Ponte 25 de Abril não está em risco de colapso, mas salientou que, se as obras não decorrerem brevemente, o tráfego ferroviário terá de ser reduzido.

"A palavra 'colapso' é utilizada em termos de engenharia em vários contextos. Na Ponte 25 de Abril já se verificou o colapso nas zonas que têm as fissuras. Pontualmente, nas zonas onde tem fissuras já entrou em colapso. Aquilo que é referenciado neste relatório é que, além da situação pontual, pode ocorrer o colapso de algum elemento estrutural: um conjunto de pontos, uma chapa de aço que está colocada em cima de uma viga. É esse o colapso que está referenciado naquele parágrafo, onde é utilizada esta palavra", explicou, na altura.

António Laranjo confirmou hoje que "em linguagem técnica o colapso não tem nada a ver com grave, tem a ver com as fissuras".

"A IP sustenta em todos os relatórios produzidos que assinalam que há uma evolução deste fenómeno de fissuração que aparece com algum significado após 2010/2011", disse, embora relembre que o problema tem vindo sempre a ser acompanhado pelos diferentes organismos envolvidos, seja a IP, seja o LNEC.

As obras vão ser realizadas, de acordo com António Laranjo, devido às fissuras detetadas na estrutura da ponte, a primeira vez em 2006, além do impacto causado pela entrada em funcionamento do comboio em 1999.

A Ponte 25 de abril vai ser alvo durante dois anos de trabalhos de manutenção, orçados em 18 milhões de euros, obras essas que vão obrigar a cortes de trânsito em maio e outubro de 2019, segundo o presidente das IP.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.