Politécnicos: só concursos especiais esgotam vagas

Instituições esperam conseguir ocupar todos os seis mil lugares com cursos criados a pensar nas necessidades da região

A segunda fase de candidaturas ao ensino superior começou ontem e os candidatos ainda vão ter 8022 vagas para preencher. Destas, 6179 são em politécnicos, que ficaram com 30% dos lugares por ocupar depois da primeira fase de concurso nacional de acesso, que colocou 42 958 estudantes.

"Os dados estão lançados e agora é jogar com as regras que temos: oito mil vagas e mais de seis mil candidatos que não foram colocados na primeira fase, a somar aos que não estavam em condições de concorrer na primeira fase e mais os estudantes dos outros regimes de acesso", aponta Joaquim Mourato, presidente do Conselho Coordenador do Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). Para já, os lugares vazios não são uma preocupação. "É estimado que não deve haver um número muito diferente entre alunos e vagas", acrescenta o responsável.

Porém, o mais certo é que os candidatos que existem para a segunda fase não vão escolher precisamente as vagas que faltam ocupar. Isso mesmo reconhece Joaquim Mourato: "O que vai acontecer é que existem alguns cursos, que por mais vagas que existam, os alunos não estão interessados. Ficam sempre cursos por preencher no concurso nacional de acesso, o que não é determinante porque são em regra preenchidos por estudantes de outros regimes de acesso."

Porém, os institutos, mesmo sabendo que determinadas ofertas não interessam aos alunos que acabaram o secundário e entram no superior pelo concurso nacional, têm de lançar vagas para ter os cursos a funcionar. Já que "é obrigatório. Só podemos lançar vagas nos concursos especiais tendo como referências as vagas do concurso nacional, estando limitados a 20% dessas vagas", justifica Joaquim Mourato.

Uma alteração que já foi por diversas vezes pedida pelo CCISP, indica o também presidente do Instituto Politécnico de Portalegre, considerando que "há cursos que podemos ter apenas para os regimes pós-laboral ou ensino a distância e que podiam abrir só em concursos locais. Não faz sentido abrir vagas no concurso nacional". Uma vez que a imagem das instituições acaba por ficar associada à baixa procura no concurso nacional. Uma menor procura que acaba por se estender ao interior do país, onde estão 60% dos lugares que ficaram por preencher agora.

"É a imagem do interior que sai mal e o país devia envergonhar-se de em pleno século XXI ainda ter estas assimetrias", considera Joaquim Mourato, acrescentando que as bolsas de incentivo a quem vai estudar para o interior deviam já estar a funcionar. Recorde-se que o programa + Superior, que dava 1500 euros aos alunos para estudarem nas instituições menos procuras, foi reestruturado para apoiar apenas os alunos carenciados que vão para essas zonas do país e ainda não foram lançadas as novas regras e novas candidaturas.

Apesar disso, os dados da Direção-Geral do Ensino Superior, apresentados na sexta-feira, antecipam que no final de todas as fases de acesso e dos concursos especiais (para maiores de 23 anos, candidatos com licenciatura, estudantes internacionais e concursos locais), o número de colocados vai chegar aos 70 852.

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