PJ na pista da maior burla de sempre

Uma mulher apresentou num banco português um contrato para uma transferência interbancária no total de 50 mil milhões de dólares. Mas tudo pode não passar da clássica burla das 'cartas da Nigéria'

O equivalente a metade da fortuna do fundador da Microsoft, Bill Gates, ou um quinto do Produto Interno Bruto nacional, foi quanto uma mulher garantiu a um banco português que iria ser transferido para a sua conta. No total seriam 50 mil milhões de dólares (36,6 mil milhões de euros), estando prevista a transferência de uma primeira tranche de 36,4 milhões de euros. Os valores envolvidos levantaram suspeitas. O caso está a ser investigado e, segundo a Polícia Judiciária, tudo aponta para a burla das "cartas da Nigéria".

De acordo com os pormenores do negócio, revelado pela agência Lusa, o contrato apresentado previa a transferência dos tais 50 mil milhões de dólares entre o banco norte-americano JP Morgan Chase Manhattan Bank e a instituição portuguesa. A taxa cambial predefinida era de 85 euros por cada 100 dólares.

As comissões também estavam estipuladas no documento: banco que aceitasse conduzir a operação de transferência do dinheiro receberia 2,5 por cento do montante global, isto é, 1,25 mil milhões de dólares (quase mil milhões de euros). Na página quatro do contrato lê-se que "as partes têm de seguir as coordenadas fornecidas pelas regras dos bancos sobre o Acto Antiterrorista e o Acto Patriótico I e II. O comprador [banco que aceita receber o dinheiro oriundo dos EUA] não será considerado responsável por nenhuma lavagem de dinheiro danosa".

Para uma fonte da Polícia Judiciária que, através da Unidade de Informação Financeira está a averiguar o caso, o mais provável é que a mulher (que não é identificada pela Lusa) que se apresentou no banco tenha sido alvo de uma burla conhecida como as "cartas da Nigéria" (ver caixa).

Um clássico para as autoridades portuguesas que, aliás, têm vários alertas na Internet quanto ao modus operandi deste esquema fraudulento de lesar pessoas. "A vítima já deve ter adiantado algum dinheiro, na ordem dos 2000, 3000 euros, à pessoa que lhe passou o contrato. Esta terá prometido que a mulher ficaria com 3 a 5% do valor da transferência", comentou ao DN um inspector da judiciária, dizendo que este é o tipo de actuação mais frequentemente detectado nas investigações.

Seja como for, a história da mulher não identificada já colocou no terreno a PJ, o Ministério Público e o Banco de Portugal (BdP). Uma fonte bancária, citada pela agência Lusa, descreveu assim o caso: "Uma quantia nunca vista, seja no mercado português ou em qualquer praça de referência do mundo." Fonte oficial do BdP disse que o caso já foi encaminhado para o departamento de supervisão para ser estudado. A Procuradoria-Geral da República confirmou que o episódio está a ser investigado pelo DCIAP.

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