PGR não confirma denúncia sobre risco de desvio de material militar

Fonte da investigação não confirma igualmente a notícia avançada pela SIC Notícias, segundo a qual algum material apreendido em 2016 coincide com o desaparecido da base de Tancos, na semana passada

A revista Sábado noticia esta quinta-feira que Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu uma denúncia de que poderia estar para breve um assalto em grande escala a instalações militares. Este acabou mesmo por acontecer, em Tancos, a semana passada.

A notícia acrescenta que, tendo em conta o inquérito-crime aberto pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) devido a denúncias que alertavam para potenciais riscos na segurança nacional, as medidas sugeridas, ou acabaram por não ser tomadas, ou não tiveram efeitos práticos.

Contactada pelo DN, a PGR não confirma esta informação, apesar de não clarificar se houve ou não esse alerta e se chegou ou não a ser aberto um inquérito. A PGR remete para o comunicado divulgado a informar sobre a abertura do inquérito ao desvio do material de guerra de Tancos, sob suspeita de crimes relacionados com o tráfico internacional de armas, associação criminosa e terrorismo internacional.

Por outro lado, fontes que estão a acompanhar a investigação do MP e da PJ, garantem ao DN que não é verdade a informação, segundo a qual algum material militar apreendido numa operação da PJ, em 2016, coincide com o que foi agora desviado de Tancos. O caso, que foi recordado pela SIC Notícias, resultou na detenção de um sargento-chefe dos Paraquedistas de Tancos.

"Associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional"

A Procuradoria-Geral da República confirmou na terça-feira que em causa, no roubo de material de guerra em Tancos, "estão em causa, entre outras, suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional".

Num comunicado, a PGR afirmou que "face a notícias relativas ao desaparecimento de material de guerra ocorrido em Tancos foram, desde logo, nos termos legais, iniciadas investigações" e que, "na sequência de análise aprofundada dos elementos recolhidos, o Ministério Público apurou que tais factos, se integram numa realidade mais vasta".

"Atenta a natureza e gravidade destes crimes e os diferentes bens jurídicos protegidos pelas respetivas normas incriminadoras, o Ministério Público decidiu que a investigação relativa aos factos cometidos em Tancos deveria prosseguir no âmbito de um inquérito com objeto mais vasto a ser investigado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP)", diz o comunicado.

O furto de material de guerra em paióis de Tancos foi detetado no dia 28 de junho.

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