Pedro Marques: Cortes nos fundos comunitários "são uma bomba orçamental"

Ministro responsável pelos fundos comunitários admite que os corte são brutais e garante que o governo se vai bater por alterar o orçamento da União Europeia.

Em entrevista ao Expresso, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas manifesta-se preocupado com o impacto orçamental dos cortes propostos pela Comissão Europeia para o próximo quadro comunitário 2021-2027. Está em causa um corte nos milhões do envelope destinado ao Portugal 2030, os fundos de coesão, mas também na comparticipação de Bruxelas nos investimentos que o país quer fazer na próxima década.

À pergunta "os próximos fundos são uma bomba orçamental?", Pedro Marques não hesitou: "Sim, Vamos batalhar para alterar isso". Em causa estão milhares de milhões em bolsas, estágios, obras públicas, entre outras áreas, que deixarão de ser comparticipadas a 85% como até agora e passam a ser apenas em 70%. O que implica a canalização de maiores recursos do Orçamento de Estado português.

Pedro Marques defende na entrevista que é preciso em Bruxelas passar à discussão sobre os recursos próprios da União, em vez de seguir apenas a via dos cortes no orçamento comunitário por causa do Brexit. O ministro admite que a UE passe a taxar mais os serviços digitais, como o Facebook e o Google. "Se não queremos discutir a quem é que vou tirar para poder dar a outro, teremos de tirar dinheiro às políticas de gestão centralizada - e essa não foi claramente a opção da Comissão".

O ministro admite que os cortes, na ordem dos 6%, são uma matéria "com impacto orçamental muito significativo e é por isso que nos bateremos para que essa situação não seja cega no quadro europeu".

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