Pedro Marques alerta para os perigos da revolução nos transportes

"As transformações que estão a ocorrer na mobilidade são fundamentais para a sociedade no futuro mais próximo, criando muitas oportunidades, mas também riscos", disse hoje o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, na abertura da Lisbon Mobi Summit.

Pedro Marques apontou, desde logo, a digitalização, que "coloca enormes desafios ao mercado de trabalho, às competências da população e conduzirá à transformação dos setores mais tradicionais". Por isso e do ponto de vista político, o ministro frisou que "a reflexão deve ser orientada no sentido do que for melhor para o bem estar da sociedade e para o crescimento e competitividade da economia".

Pegando no exemplo da condução autónoma, Pedro Marques lembrou que se é verdade que trará ganhos em matéria de eficiência e segurança, pode ter efeitos negativos como perda de postos de trabalho, o mesmo acontecendo com os veículos partilhados, que podem afastar pessoas dos transportes públicos coletivos. Ora, defende, "os transportes públicos coletivos vão continuar a ser necessários". Por isso, o governante defende que na discussão da mobilidade do futuro, "é fundamental planear cenários alternativos, sempre num quadro de grande flexibilidade, com soluções complementares e integradas, adaptadas às necessidades de cada um".

Veja o vídeo com a intervenção do ministro

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

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Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.