Pedro Marques alerta para os perigos da revolução nos transportes

"As transformações que estão a ocorrer na mobilidade são fundamentais para a sociedade no futuro mais próximo, criando muitas oportunidades, mas também riscos", disse hoje o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, na abertura da Lisbon Mobi Summit.

Pedro Marques apontou, desde logo, a digitalização, que "coloca enormes desafios ao mercado de trabalho, às competências da população e conduzirá à transformação dos setores mais tradicionais". Por isso e do ponto de vista político, o ministro frisou que "a reflexão deve ser orientada no sentido do que for melhor para o bem estar da sociedade e para o crescimento e competitividade da economia".

Pegando no exemplo da condução autónoma, Pedro Marques lembrou que se é verdade que trará ganhos em matéria de eficiência e segurança, pode ter efeitos negativos como perda de postos de trabalho, o mesmo acontecendo com os veículos partilhados, que podem afastar pessoas dos transportes públicos coletivos. Ora, defende, "os transportes públicos coletivos vão continuar a ser necessários". Por isso, o governante defende que na discussão da mobilidade do futuro, "é fundamental planear cenários alternativos, sempre num quadro de grande flexibilidade, com soluções complementares e integradas, adaptadas às necessidades de cada um".

Veja o vídeo com a intervenção do ministro

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O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa

Os relatórios das instituições internacionais sobre a economia e a política económica em Portugal são desde há vários anos uma presença permanente do debate público nacional. Uma ou duas vezes por ano, o FMI, a Comissão Europeia (CE), a OCDE e o Banco Central Europeu (BCE) - para referir apenas os mais relevantes - pronunciam-se sobre a situação económica do país, sobre as medidas de política que têm vindo a ser adotadas pelas autoridades nacionais, sobre os problemas que persistem e sobre os riscos que se colocam no futuro próximo. As análises que apresentam e as recomendações que emitem ocupam sempre um lugar destacado na comunicação social no momento em que são publicadas e chegam a marcar o debate político durante meses.

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São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.