Pedidos de ajuda para deixar de fumar têm vindo a aumentar

Unidades privadas quase duplicaram consultas de cessação tabágica nos últimos anos. SNS reduziu consultas nos hospitais

O número de portugueses que recorre às consultas de cessação tabágica no setor privado é cada vez maior. De 2015 para 2016, registou-se um crescimento de 26,4% nestas consultas nas unidades de saúde CUF, de norte a sul do País. Embora existam desde 2008, só em 2012 é que este serviço começou a ter maior recetividade, tendo crescido 98% nos últimos quatro anos. No SNS, há a perceção de que a procura também tem vindo a aumentar, mas não há dados dos últimos dois anos.

Por esta altura, ainda é difícil avaliar se as imagens chocantes estão a ter impacto na decisão de se deixar de fumar. "A nova rotulagem com imagens está ainda a decorrer até 20 de maio de 2017 ", disseram ao DN os responsáveis do Programa Nacional Para a Prevenção e Controlo do Tabagismo da DGS, destacando que muitos fumadores ainda não contactaram com todas as imagens. Não é possível saber com exatidão se há mais gente a querer deixar de fumar desde que as imagens passaram a aparecer nos maços, mas "segundo informação dos responsáveis regionais do PNPCT a procura de ajuda tem vindo a aumentar."

Em 2014, existem no SNS 130 locais de consulta de cessação tabágica, mas em 2008 eram 212. "Infelizmente, há sítios onde as pessoas ainda têm de esperar pelas consultas", lamenta Paula Rosa, secretária da Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia. A pneumologista destaca que era importante "alargar o apoio ao fumador de forma eficaz" com vista a diminuir o consumo de tabaco em Portugal. Até porque a espera pela consulta pode fazer com que o fumador perca a motivação. O objetivo do Governo é que, até ao final do próximo ano, estas consultas possam estar disponíveis em todos os agrupamentos de centros de saúde.

No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, foram realizadas, no ano passado, 1159 consultas com vista a deixar de fumar, um número que no final de outubro deste ano se situava nas 823. Já a linha de apoio à cessação tabágica da Saúde 24 (cujo número surge nos maços de tabaco), que entrou em funcionamento em maio, recebeu chamadas de 1630 fumadores. Julho foi o mês em que foram atendidos mais (434), o número estabilizou nos 250 nos últimos dois meses.

A pneumologista Paula Rosa diz que ajudar alguém a deixar de fumar passa, em primeiro lugar, por fazer com que "a pessoa aceite que o tabaco é uma dependência" e que "tem de ser tratada, seja com ajuda médica ou não". Hilson Cunha Filho, da Confederação Portuguesa da Prevenção do Tabagismo, considera que "proibir" a pessoa de fumar nos espaços de convívio ou ao pé dos familiares "é uma estratégia para que pense que tem de deixar de fumar".

A propósito do Dia Mundial do Não Fumador, que se comemora hoje, a Unidade do Pulmão do Hospital CUF Porto disponibiliza, gratuitamente, uma avaliação do risco de Cancro do Pulmão para grandes fumadores, com idades entre os 50 e os 75 anos.

Exclusivos