Costa diz que só em conjunto a UE poderá enfrentar os desafios do futuro

Primeiro-ministro enumerou alguns dos desafios da União Europeia

O primeiro-ministro, António Costa, identificou hoje, em Estrasburgo, as alterações climáticas, a instabilidade na fronteira externa, o terrorismo, a globalização, a transição digital e as migrações como os grandes desafios que a União Europeia enfrenta.

No seu discurso no hemiciclo de Estrasburgo, no quadro do ciclo de debates sobre o futuro da UE com chefes de Estado e de Governo no Parlamento Europeu, o primeiro-ministro português, ao elencar estes desafios de futuro na União Europeia (UE), insistiu que só o bloco comunitário em conjunto conseguirá resolvê-los.

"Temos de ter consciência [de] que nenhum dos grandes desafios que enfrentamos será melhor resolvido fora da União, por cada Estado-Membro isoladamente, por mais populoso ou próspero que seja", sublinhou.

António Costa prosseguiu dizendo que só a UE em conjunto conseguirá liderar uma ação concertada à escala mundial para a aplicação do Acordo de Paris, "vital para responder às alterações climáticas que ameaçam a Humanidade na sua existência".

"Só unidos na Cooperação Estruturada Permanente, poderemos assumir uma responsabilidade crescente de forma solidária e em complementaridade com a NATO, face à instabilidade nas nossas fronteiras que ameaça a paz e a segurança. Só unidos poderemos reforçar a cooperação policial, a cooperação judicial, a troca de dados entre os nossos serviços de informações, para enfrentar o terrorismo que espalha o medo nas ruas das nossas cidades", reforçou.

Para o primeiro-ministro, só a união dará força a uma política comercial capaz de contribuir para regular os mercados globais e proteger "os elevados padrões sociais, ambientais e de segurança alimentar" que os Estados-Membros querem preservar, regulando a globalização que desafia a sustentabilidade do modelo social europeu.

"Só o desenvolvimento do Pilar Social, do mercado único, o investimento conjunto na sociedade do conhecimento, na transição energética, nos permite assegurar o crescimento e o emprego digno, a única resposta eficaz às angústias que a transição digital e a automação colocam sobre o futuro do trabalho", sublinhou.

António Costa abordou, ainda, o "problema das migrações", que altera os equilíbrios das sociedades europeias, propondo que a União Europeia aja na promoção do crescimento inclusivo e do desenvolvimento sustentável, da paz e dos direitos humanos em África, na cooperação com os países de origem e de trânsito, acompanhando o apelo do Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para um novo Pacto Global para as Migrações.

"Assim como só solidariamente entre todos podemos assegurar a defesa da nossa fronteira externa comum contra as redes de criminalidade organizada que promovem o tráfico de seres humanos, e partilhar o dever humanitário de garantirmos proteção internacional a todos quantos dela carecem", acrescentou.

O primeiro-ministro português defendeu que os desafios têm de ser enfrentados, não com "grandes debates institucionais ou paralisantes revisões dos Tratados", mas sim com a definição de um plano de ação.

"O essencial é definirmos o que queremos fazer. A arquitetura institucional é apenas o instrumento que nos permitirá a sua concretização. Inverter a ordem é contraproducente: divide-nos no acessório antes de nos unir no essencial. O tempo urge e o nosso foco tem de estar nos cidadãos, ouvindo-os e devolvendo-lhes a confiança na nossa capacidade de enfrentar e vencer cada um destes desafios", finalizou.

António Costa é o terceiro líder europeu a participar no ciclo de debates promovido pelo Parlamento Europeu sobre o Futuro da UE, iniciado este ano, depois dos primeiros-ministros da Irlanda, Leo Varadkar, em janeiro, e da Croácia, Andrej Plenkovic, em fevereiro, e antes do Presidente francês, Emmanuel Macron, o "convidado de honra" da sessão plenária de abril.

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