PCP quer reformas por inteiro para trabalhadores com 40 anos de descontos

O secretário-geral do PCP considerou insuficientes as alterações propostas pelo PS

Jerónimo de Sousa defendeu hoje que os "trabalhadores com 40 anos de descontos deviam ter direito à reforma sem penalizações" e considerou insuficientes as alterações propostas pelo PS, durante um almoço comemorativo dos 96 anos do PCP, no Seixal.

"Para o PCP, quem levou uma vida inteira a trabalhar e tem pelo menos 40 anos de descontos devia ter direito à reforma por inteiro e sem penalizações. Esta é a nossa posição. Temos Lutado e vamos continuar a lutar para que assim seja", disse o líder comunista perante cerca de 700 militantes da CDU no Pavilhão do Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional, em Paio Pires, no concelho do Seixal.

"A proposta que foi adiantada pelo Governo fica aquém do que temos defendido, mas, estarão de acordo, camaradas, que tudo o que vier é ganho. E vamos continuar a nossa luta para que se encontre uma solução mais justa para essa geração sacrificada, de trabalhadores com uma longa carreira contributiva", acrescentou.

Num discurso em que reafirmou as críticas à União Europeia, que voltou a acusar de estar a arranjar novos pretextos para penalizar o país depois de Portugal ter conseguido um défice de 2,1% em 2016, abaixo do limite estabelecido pela Comissão Europeia, no plano nacional, Jerónimo de Sousa criticou também o Bloco de Esquerda, por fazer da CDU o principal adversário na margem sul do Tejo.

"Nesta nova fase da vida política nacional, ganha mais importância a afirmação distintiva do projeto da CDU, o caráter diferenciador das suas propostas e opções, a dimensão da alternativa clara e assumida à gestão e projetos de outras forças políticas, sejam PSD e CDS, seja o PS, seja o BE", disse.

"E dizemos BE, porque, muitas vezes, quase que não se lhes pode tocar que ficam logo ofendidos. Mas vir aqui para a margem sul dizer que o adversário principal é a CDU, que o que é preciso é retirar maiorias absolutas à CDU, aqui no Seixal ou em Almada, estão a demonstrar que para eles o adversário principal é a CDU. Para eles a direita, o PS, não importa", acrescentou o líder comunista.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.