PCP quer mais votos nas autárquicas para melhor pressionar Governo

Líder comunista encerra festa com caderno de encargos para negociações com socialistas. Objetivo direto para eleições de 1 de outubro é ter "mais candidatos"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, antecipou este domingo o "objetivo direto" de eleger a 1 de outubro "mais candidatos da CDU" para assim melhor pressionar o Governo socialista na discussão do Orçamento de Estado para 2018, deixando no seu discurso de encerramento da Festa do Avante! o caderno de encargos do PCP para essas negociações com os socialistas.

Segundo o líder comunista, "mais votos na CDU" e "mais força à CDU" será a "garantia" para "dar novos passos e avanços na resposta aos problemas do país, dos trabalhadores e do povo". Jerónimo de Sousa quer "assegurar o aumento geral de salários e o aumento extraordinário do salário mínimo nacional para 600 euros", já "em janeiro de 2018".

O PCP quer também um "aumento mínimo de 10 euros para todas as pensões", alterando a lei para que o crescimento do valor das reformas seja acima da inflação, para além do direito à "reforma por inteiro e sem penalizações" para quem tiver "40 ou mais anos de descontos".

Na política fiscal, as exigências são antigas: desagravar impostos para os baixos rendimentos, reforçar o "mínimo de existência para os mais baixos salários" e tributar "lucros e dividendos do grande capital".

Para o Orçamento do próximo ano, a CDU quer ainda eliminar o corte dos 10% do subsidio de desemprego e prolongar o prazo do subsídio, alargar o abono de família.

Segundo Jerónimo, que deixou 12 parágrafos de reivindicações, é necessário "avançar" com o "investimento público" nos transportes, insistindo no fim das portagens nas ex-Scut.

Controlo público do SIRESP

O líder comunista reconheceu que persistem "vulnerabilidades" no país. Afinal, recordou, o que se conseguiu "não é ainda o que é justo e se impõe, mas são avanços que estão para além do que o Programa do PS e do seu governo admitiam". Para Jerónimo, estas vulnerabilidades ficaram "dramaticamente expostas nos trágicos incêndios florestais que assolaram o país neste verão", apontando neste ponto a necessidade do "controlo público" do SIRESP.

O PCP vai insistir noutras soluções no campo laboral, com Jerónimo de Sousa a apontar o dedo ao Governo socialista: "A convergência que se mantém entre PS, PSD e CDS em matéria de legislação laboral e em opções do domínio económico e financeiro e soberania revelam-no e mostram a realidade contraditória em que nos movemos e em que a luta se desenvolve."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.