PCP mantém em aberto possibilidade de moção de censura

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, reafirmou hoje, sábado, a possibilidade de os comunistas avançarem com uma moção de censura ao Governo, escusando-se a revelar como votarão a iniciativa do Bloco de Esquerda, a quem apontou "contradições".

"Consideramos que não devemos excluir nenhum instrumento que nos é reconhecido pela lei e pela Constituição para travar o combate à política de direita", afirmou o líder comunista, na apresentação das conclusões da reunião do comité central, que decorre desde sexta-feira na sede do PCP, em Lisboa.

Jerónimo de Sousa acrescentou que os comunistas têm "uma reflexão e uma análise" próprias, "independentemente dos desenvolvimentos que têm acontecido" - referindo-se ao anúncio do BE de que apresentará uma moção de censura a 10 de Março.

Questionado sobre se o PCP poderá apresentar uma moção em simultâneo com a do Bloco, Jerónimo de Sousa não esclareceu: "O que determinará a nossa decisão não é este exercício do Bloco de Esquerda, mas é a própria evolução da situação".

Sobre a iniciativa da bancada bloquista, Jerónimo de Sousa apontou "algumas contradições de há uma semana a esta parte", depois de o líder do Bloco Francisco Louçã ter defendido no passado sábado que uma moção de censura não tinha "qualquer utilidade prática".

"Eu não queria fazer nenhuma suspeição, mas se há uma semana sectores do BE afirmavam que uma moção seria abrir a porta à direita, é caso para perguntar: então, esta moção é para abrir a porta a quem?", disse, escusando-se a clarificar qual será o sentido de voto do PCP à iniciativa do Bloco.

O PCP não quer "decidir sobre anúncios", garantiu Jerónimo de Sousa, afirmando ser necessário "um conhecimento dos conteúdos".

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