PCP junta-se a PSD e CDS e chumba proposta contra utilização de glifosato

Bancada comunista não alinha com a esquerda na votação parlamentar para impedir o uso do herbicida cancerígeno em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação

O grupo parlamentar do PCP votou esta quarta-feira ao lado do PSD e do CDS e ajudou a chumbar o projeto de lei do Bloco de Esquerda (BE) que visava proibir a utilização do herbicida glifosato em espaços urbanos. Os votos favoráveis do PS, do PEV e do PAN não chegaram assim para fazer vingar o diploma que os bloquistas anunciaram no encerramento das suas jornadas parlamentares, na semana passada.

Entretanto, o PCP apresentou também um projeto de resolução recomendando ao Governo medidas para controlar os fitofármacos e sua aplicação sustentável, nomeadamente através da criação de uma comissão multidisciplinar para acompanhar esta área, o qual deverá ser votado sexta-feira.

A iniciativa do BE contemplava a interdição do recurso a "quaisquer produtos fitofarmacêuticos contendo glifosato em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação".

Em abril, o Parlamento Europeu defendeu a renovação da autorização para comercializar glifosato por somente sete anos, contra os 15 anos inicialmente previstos.

Várias organizações, nomeadamente ambientalistas e, em Portugal, partidos como o PEV ou o PAN, além do próprio BE, têm pedido a proibição da venda de herbicidas com glifosato.

Uma petição a decorrer em Portugal contra o uso de glifosato tem já mais de 15 mil assinaturas.

Ler mais

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.