PCP: "Há uma outra solução governativa"

Comunistas deixaram mensagem a Cavaco de que não vale a pena indigitar Passos. Mas nada disseram sobre acordo à esquerda

Jerónimo de Sousa saiu esta quarta-feira de manhã a dizer que o PS tem condições para governar e que o Presidente da República não tem de perder mais tempo a indigitar um governo PSD/CDS que não tem maioria. Sem responder a perguntas, o secretário-geral do PCP nada disse sobre um eventual acordo com os socialistas.

"Há uma maioria de deputados que constituem condição bastante para a formação de um governo de iniciativa do PS que permita a apresentação do programa, a sua entrada em funções e a adoção de uma política com uma solução duradoura", explicou Jerónimo

Sublinhando que o PCP transmitiu a Cavaco Silva que a atual coligação de direita "foi derrotada ficando em minoria", o que impede "o PSD e CDS de formar governo", o líder comunista sublinhou que "caso isto aconteça e seja presente um programa do PSD e CDS, apresentaremos uma moção de rejeição". Para o PCP, "PSD e CDS não reúnem condições para que Passos Coelho possa ser indigitado como primeiro-ministro", voltando depois a dizer o que disseram ontem António Costa (PS) e Catarina Martins (BE): "A acontecer", essa indigitação do ainda primeiro-ministro "será uma manifesta perda de tempo".

Depois, a delegação comunista deixou Belém sem dizer nada sobre eventuais acordos à esquerda. "Não queremos dizer nem mais nem menos do que dissemos ao sr. Presidente da República."

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Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.