PCP: "Há uma outra solução governativa"

Comunistas deixaram mensagem a Cavaco de que não vale a pena indigitar Passos. Mas nada disseram sobre acordo à esquerda

Jerónimo de Sousa saiu esta quarta-feira de manhã a dizer que o PS tem condições para governar e que o Presidente da República não tem de perder mais tempo a indigitar um governo PSD/CDS que não tem maioria. Sem responder a perguntas, o secretário-geral do PCP nada disse sobre um eventual acordo com os socialistas.

"Há uma maioria de deputados que constituem condição bastante para a formação de um governo de iniciativa do PS que permita a apresentação do programa, a sua entrada em funções e a adoção de uma política com uma solução duradoura", explicou Jerónimo

Sublinhando que o PCP transmitiu a Cavaco Silva que a atual coligação de direita "foi derrotada ficando em minoria", o que impede "o PSD e CDS de formar governo", o líder comunista sublinhou que "caso isto aconteça e seja presente um programa do PSD e CDS, apresentaremos uma moção de rejeição". Para o PCP, "PSD e CDS não reúnem condições para que Passos Coelho possa ser indigitado como primeiro-ministro", voltando depois a dizer o que disseram ontem António Costa (PS) e Catarina Martins (BE): "A acontecer", essa indigitação do ainda primeiro-ministro "será uma manifesta perda de tempo".

Depois, a delegação comunista deixou Belém sem dizer nada sobre eventuais acordos à esquerda. "Não queremos dizer nem mais nem menos do que dissemos ao sr. Presidente da República."

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.