PCP: "É possível" nova política "mantendo os compromissos e a palavra"

Jerónimo de Sousa abriu Festa do Avante dizendo que o PCP lutará por nova política "mantendo os compromissos e a palavra dada".

O secretário-geral do PCP afirmou esta sexta-feira que o partido "não regateará nenhum esforço na sua ação e intervenção" para concretizar "uma nova política" alternativa, "patriótica e de esquerda".

Isso será feito "mantendo os compromissos e a palavra dada" com o PS e o BE que permitiu construir uma solução de governo que impediu a direita de continuar a governar, garantiu Jerónimo de Sousa, na intervenção de abertura da 40ª edição da Festa do Avante.

"Certo e seguro é que sem a luta dos trabalhadores e do povo, sem o reforço do PCP, sem a convergência dos democratas e patriotas, mais tempo demorará a concretizar a possibilidade real de uma vida melhor, num país que terá tanto mais futuro quanto mais soberano for e mais for o povo a decidir!", argumentou o líder comunista.

"Se na situação atual há que não voltar atrás e prosseguir a reposição de salários, rendimentos e direitos, nós consideramos ser incontornável a necessidade de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que nos liberte das grilhetas que nos amarram, potencie os nossos recursos, ponha Portugal a produzir, dê valor ao trabalho com direitos, combata o desemprego e a precariedade, defenda o direito à saúde, o acesso ao ensino, proteja socialmente a infância e a velhice", declarou Jerónimo de Sousa.

"Essa necessidade é inseparável da possibilidade. Sim, é possível", sustentou o secretário-geral do PCP.

Perante dezenas de militantes e apoiantes, Jerónimo de Sousa lembrou que os trabalhadores e o povo português estavam na anterior edição da Festa do Avante sob "um ataque em grande escala" do governo PSD/CDS para "arrasar salários, rendimentos e direitos".

Porém, com a vitória da esquerda nas eleições de outubro e porque "o PCP avançou com a possibilidade de uma solução política", foi possível construir uma solução alternativa, disse Jerónimo de Sousa.

"Tínhamos consciência que com um governo do PS e o programa do PS as questões de fundo e os problemas estruturais dificilmente encontrariam as respostas necessárias", assumiu o secretário-geral do PCP, mas "havia duas questões urgentes" a resolver: impedir a continuação da "política de terra queimada" da direita e promover "nova fase da vida política" que permitisse recuperar rendimentos e direitos dos portugueses.

Apesar das medidas "limitadas e insuficientes" para recuperar "os estragos da política de direita dos sucessivos governos", Jerónimo de Sousa mostrou algum otimismo: "Há um elemento de caráter subjetivo que ressurgiu, diríamos assim como que uma janela de esperança e a real possibilidade de nos libertarmos como país e como povo da política de exploração e empobrecimento, das amarras e constrangimentos que nos querem impor, da dependência a que nos querem submeter."

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