PCP distancia-se de Costa sobre oportunidades para professores em França

O secretário geral do PCP comentava as declarações do primeiro-ministro em Paris, sobre uma maior aposta no ensino do português naquele país

O secretário-geral do PCP distanciou-se hoje das declarações do primeiro-ministro, António Costa, sobre as oportunidades para professores de Língua Portuguesa em França, defendendo que os problemas dos docentes se resolvem com "medidas concretas cá".

"Não é a emigração que resolve o problema dos professores, são medidas concretas cá. Tendo em conta as necessidades da escola pública há possibilidade de colocar professores no seu país", defendeu Jerónimo de Sousa, em Braga, à margem de uma visita a uma exploração leiteira.

Confrontado com as declarações de António Costa em Paris, que foram feitas depois de o Presidente francês ter referido uma aposta no ensino do português naquele país, Jerónimo de Sousa afastou-se do líder do Governo.

"Não acompanhamos essa declaração e esse convite subjacente nessa declaração do primeiro-ministro, tal como não acompanhámos há 4 anos [quando o secretário de Estado do Desporto convidou os portugueses a saírem da "zona de conforto" e Pedro Passos Coelho, à data primeiro-ministro, apontou a emigração como "saída" para os professores]", disse.

Nas comemorações do Dia de Portugal, que decorreram em França, António Costa destacou o compromisso do Presidente francês sobre o ensino do português, considerando que é uma oportunidade para muitos professores.

Em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro referiu que em breve serão marcadas "as reuniões do grupo técnico que existe entre Portugal e França para o alargamento da presença do português" como língua de aprendizagem nas escolas francesas.

"Isto é obviamente muito importante para a difusão da nossa língua. É também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, hoje não têm trabalho em Portugal e que podem encontrar aqui, mas é também um grande desafio para a nossa tecnologia e para a capacidade de fomentar o ensino à distância", considerou.

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