PCP defende aumento da produção nacional para "combater" dívida pública

Jerónimo de Sousa, secretário geral dos comunistas, quer encontrar os meios financeiros para aumentar a produção

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, defendeu esta terça-feira o aumento da produção nacional como uma das formas de "combate" à dívida pública, que aumentou até junho para os 132,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

"A dívida voltou a aumentar, pouco que seja, porque o problema não é este pequeno aumento ou um pequeno abaixamento. O grande problema de fundo é como é que nós podemos encontrar os meios financeiros capazes para aumentar a produção nacional, porque esse é um défice que tem que ser combatido", disse.

"Não tenhamos ilusões. Sem mais produção nacional não há mais emprego, não se cria mais riqueza e, mesmo do ponto de vista da dívida, é criando mais riqueza que nós ficamos a dever menos. Não é a pedir mais empréstimos", acrescentou.

Jerónimo de Sousa, que falava num jantar em Nisa (Portalegre), com os candidatos autárquicos da CDU neste concelho e de Crato, acrescentou ainda que o país vive com "vários" défices nesta altura.

"Hoje, temos um país com vários défices, fala-se muito do défice das contas públicas, mas tínhamos de falar do défice energético, alimentar, do défice demográfico, de défices que atrofiam a economia e condicionam o nosso próprio futuro", lamentou.

Para Jerónimo de Sousa, esta situação resulta dos "condicionamentos e constrangimentos" de uma política de "submissão" à União Europeia e à política do Euro.

O secretário-geral do PCP voltou também a defender a renegociação da dívida, sublinhando que essa é uma "questão central" para o país.

A dívida pública aumentou até junho, para os 132,4% do PIB, acima dos 130,5% registados no primeiro trimestre e dos 130,3% verificados no final de 2016, segundo o Banco de Portugal.

De acordo com o boletim estatístico de agosto hoje publicado pelo Banco de Portugal, a dívida das administrações públicas na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, subiu para os 249.084 milhões de euros, acima dos 243.487 milhões registados até março.

Comparando com o 'stock' da dívida pública registado em dezembro do ano passado, de 241.061 milhões de euros, verifica-se que, nos primeiros seis meses deste ano, esta aumentou 8.023 milhões de euros.

No Programa de Estabilidade deste ano, apresentado em abril, a meta com que o Governo se comprometeu para a dívida pública apontava para que esta descesse para os 127,9% do PIB, depois de ter fechado o ano de 2016 nos 130,3%.

Quanto ao financiamento das administrações públicas, este foi de 3.380 milhões de euros no primeiro semestre do ano, valor que compara com os 2.694 milhões de euros registados no mesmo período de 2016.

De acordo com uma nota explicativa do Banco de Portugal, "o financiamento obtido pelas administrações públicas junto dos bancos e de outros financiadores residentes foi de 1,6 mil milhões de euros e de 3,4 mil milhões de euros, respetivamente".

Em contrapartida, "o financiamento obtido no exterior foi de -1,6 mil milhões de euros, refletindo essencialmente reembolsos antecipados de empréstimos ao Fundo Monetário Internacional no montante de 2,7 mil milhões de euros".

Finalmente, o financiamento através de títulos foi de nove mil milhões de euros, que mais do que compensou a redução de 5,6 mil milhões de euros nos empréstimos líquidos de depósitos".

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