PCP contra "municipalização" da Carris

O PCP/Lisboa manifestou-se hoje contra "a municipalização" da Carris e criticou a Câmara de Lisboa por não ter consultado os vereadores da oposição antes de assinar com o Governo o memorando que transfere a transportadora para a autarquia.

Numa nota hoje divulgada, a Direção da Organização da Cidade de Lisboa do PCP considerou "inaceitável que os vereadores e os deputados municipais tenham tido conhecimento deste memorando apenas pelo convite para a cerimónia de assinatura".

O PCP/Lisboa considerou, ainda, "inadmissível" a assinatura do memorando "sem haver apreciação e deliberação dos órgãos municipais, remetendo-o para ratificação posterior" na Câmara e Assembleia Municipal de Lisboa.

Para o Partido Comunista Português, "é ao Governo que cabe assegurar uma Carris pública, de qualidade, ao serviço dos trabalhadores e da população da cidade e da região de Lisboa" e salientou que a "municipalização" tem sido o primeiro passo para a concessão dos transportes a privados.

Para os comunistas, a Carris deve manter-se na esfera do sector empresarial do Estado, recebendo através do Orçamento do Estado os "recursos necessários à manutenção de uma empresa que tem de prestar um serviço de qualidade aos utentes", porque "falta à Câmara Municipal uma estrutura, nomeadamente financeira, para que possa ser prestado um serviço aos utentes com rapidez, segurança e custo social".

"Os custos de exploração são, só por si, um volume de verbas incomportável por qualquer município", sublinhou o PCP.

Por outro lado, argumentou que o serviço de transportes prestado pela Carris vai além das fronteiras do Município de Lisboa, pelo que não pode "ser gerido tendo em conta apenas os interesses da capital, esquecendo todos aqueles que trabalhando, ou deslocando-se a Lisboa, têm fora do município o seu ponto de origem ou destino".

O PCP/Lisboa defendeu que "é a partir da responsabilidade da administração central do Estado que terá que ser encontrada uma solução que envolva a Área Metropolitana de Lisboa e os municípios que a compõem".

O Governo e a Câmara Municipal de Lisboa (CML) assinaram hoje um memorando da passagem de gestão da rodoviária Carris para a autarquia, a partir de 01 de janeiro de 2017.

O presidente da CML, Fernando Medina, anunciou um reforço de 250 novos autocarros nos próximos três anos para a cidade, num investimento de 60 milhões de euros, a diminuição em 40% das emissões poluentes, a contratação de 220 motoristas e a criação de 21 novas linhas.

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