Paulo Vistas renunciou ao mandato de vereador na Câmara de Oeiras

Ex-presidente da Câmara tomou posse como vereador pelo IOMAF, que teve apenas dois eleitos nas autárquicas

O ex-presidente da Câmara de Oeiras Paulo Vistas renunciou ao mandato de vereador no executivo municipal, informou à Lusa uma fonte do movimento Independentes, Oeiras Mais à Frente (IOMAF).

Segundo a fonte do IOMAF, que pediu para não ser identificada, Paulo Vistas solicitou na quarta-feira ao presidente da câmara, Isaltino Morais, "a renúncia ao mandato de vereador" no executivo camarário.

O pedido foi aceite pelo presidente da autarquia, que convocou a número três da lista do IOMAF para assumir o cargo de vereadora, acrescentou a mesma fonte, adiantando que Paulo Vistas no pedido de renúncia ao mandato não refere qualquer motivo e "apenas invoca as questões legais".

Paulo Vistas tomou posse como vereador pelo IOMAF, que teve apenas dois eleitos nas autárquicas de 01 de outubro de 2017, mas fez-se substituir nas reuniões do executivo por Marlene Rodrigues, número três na lista do movimento para a câmara, que já era vereadora no anterior mandato.

"É um direito que lhe assiste. Cabe ao movimento, com ou sem Paulo Vistas, desenvolver o seu trabalho em prol do município de Oeiras", comentou o vereador Carlos Morgado, do IOMAF, contactado pela Lusa.

O autarca, número dois na lista liderada pelo ex-presidente da câmara, admitiu que Paulo Vistas vai fazer falta ao movimento, mas que será preciso "arranjar um outro líder", a eleger numa próxima assembleia do IOMAF.

Questionado se será candidato à liderança do movimento, Carlos Morgado respondeu que "tudo depende de como a assembleia decorrer".

Nas recentes autárquicas, Isaltino Morais foi eleito presidente da Câmara de Oeiras com maioria absoluta (41,68%), com seis mandatos, seguido do IOMAF (14,19%), com dois eleitos, e do PS (13,41%), PSD/CDS-PP/PPM (8,73%) e CDU (7,84%), com um mandato cada.

Na noite das eleições, o recandidato independente à Câmara de Oeiras admitiu que o resultado da sua candidatura ficou "aquém da expectativa" e que iria "refletir" com a sua equipa se assumiria responsabilidades num executivo liderado por Isaltino Morais.

Paulo Vistas recandidatou-se pelo IOMAF, pelo qual foi eleito em 2013, então ainda com o apoio de Isaltino Morais, de quem foi vice-presidente e que substituiu quando o autarca deixou a câmara para cumprir pena de prisão, por fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Isaltino Morais reconquistou a presidência da câmara pelo movimento Inovar Oeiras de Volta (IN-OV).

A Lusa tentou, sem sucesso, contactar Paulo Vistas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?

Premium

Catarina Carvalho

O populismo na campanha Marques Vidal

Há uma esperança: não teve efeito na opinião pública a polémica da escolha do novo procurador-geral da República. É, pelo menos, isso que dizem os estudos de opinião - o número dos que achavam que Joana Marques Vidal devia continuar PGR permaneceu inalterável entre o início do ano e estas últimas semanas. Isto retirando o facto, já de si notável, de que haja sondagens sobre este assunto.