Paulo Rangel: "O PCP nem sequer tem uma visão democrática"

Foi eleito um dos dez vice-presidentes do Partido Popular Europeu (PPE) e considera que um governo de esquerda é "fraude eleitoral". Rangel em entrevista ao DN

Foi hoje eleito vice-presidente do PPE. O que significa para Portugal ocupar este cargo?

É muito importante porque isto permite que Portugal tenha, especialmente nas cimeiras do PPE, uma dupla voz. E há aqui um reforço porque sou simultaneamente vice-presidente do grupo parlamentar, o que permite fazer uma ligação nos dois polos mais importantes do partido. A minha principal tarefa será assegurar a ligação entre essas duas estruturas.

Um dos temas deste congresso foi as migrações. Como é que o PPE lida com atitudes heterogéneas que vão desde a abertura de fronteiras de Angela Merkel até Órban que dá ordens para disparar sobre refugiados?

A minha posição está muito em linha com a de Angela Merkel, que é lutar para que a posição do PPE seja de grande abertura, de que a Europa tem capacidade plena para aceitar refugiados e cada país deve aceitar uma quota-parte das responsabilidades. Aí nem sequer vou tentar fazer pontes. Vou é tentar fazer pender uma posição do PPE para uma posição de grande abertura. Vamos ter de integrar muitos mais refugiados do que os que estão previstos.

Não incomoda Victor Órban fazer parte dessa discussão?

Incomoda. Não escondo que as atitudes de Vítor Órban são atitudes que devem ser denunciadas. E julgo que temos aqui alguma margem para influenciar o seu comportamento. E, portanto, há uma situação de incómodo de ele estar presente, mas também há a vantagem de podermos influenciar e atenuar algumas das posições mais negativas.

Leia a entrevista completa na edição impressa ou no e-paper do DN

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.