Paulo Rangel culpa Governo por vítimas de Pedrógão Grande

O eurodeputado social-democrata falou esta manhã aos cerca de 80 jovens que participam na Universidade de Verão do PSD

Paulo Rangel responsabilizou esta sexta-feira o Governo pelas vítimas do incêndio de Pedrógão e até pelo aumento do número de mortos nas estradas portuguesas. Na Universidade de Verão do PSD em Castelo de Vide, o eurodeputado social-democrata disse que António Costa "está a desmantelar o Estado Social" porque "dá com uma mão e tira com a outra", ao aumentar "dez euros" nas pensões (o "Estado salarial", como definiu), mas cortando em "serviços essenciais" como na saúde, educação e na proteção civil.

Depois de afirmar que "o caos nos incêndios tem a ver com cortes na proteção civil", Rangel acrescentou: "Há outra maneira de cumprir as metas europeias, havia outra forma e não comprometia nem a vida, nem a integridade física, nem a segurança dos portugueses e das portuguesas".

E reforçou: "O que lamento é que, para cumprirmos as metas europeias e criar a tal ilusão do Estado salarial, tenhamos criado condições de deterioração, de degradação dos nossos serviços públicos essenciais que já causaram vítimas e não foram poucas, é isto que eu lamento."

Dito de outra forma: "O Estado Social não é só subir rendimentos; é ter o SNS com serviços decentes, é ter Proteção Civil que garanta que tragédias como a de Pedrógão não ocorram."

Para o eurodeputado do PSD, é "fundamental" que Portugal mantenha o cumprimento das metas do défice e o atual Governo até tem sido, "surpreendentemente", capaz de o fazer - embora na dívida pública "as coisas continuem misteriosamente a descambar".

Só que "não há milagres" quando se mantêm essas metas défice: se um governo repõe, "num só só ano", os rendimentos dos funcionários públicos e dos pensionistas, isso "aumenta a despesa" e portanto só consegue diminuir o défice porque "está a fazer cortes brutais" na despesa pública.

No SNS, "a dívida está como está e há atrasos nas cirurgias", ou seja, "a prestação hoje [de serviços] é francamente pior": "Nos anos da troika os serviços essenciais foram mantidos, mas agora corta-se em serviços essenciais, só para mostrar ilusão de crescimento." Portanto, este é um Governo que "dá com uma mão e tira com a outra". Ora isto representa a "falência do Estado", defendeu.

Na verdade, o Governo do PS está a levar a cabo "uma política para o Estado que é ultraliberal" porque "corta na saúde, na educação e na segurança/proteção civil".

Enquadrando também nestes cortes o caso do desaparecimento de material militar em Tancos, Rangel considerou que as "Forças Armadas estão paralisadas". "Estamos a assistir a um desinvestimento brutal nos serviços públicos", "os serviços na saúde, na educação e na segurança falharam e falham clamorosamente", o que significa que o Governo deu "uma pequena fatia para tirar um serviço essencial".

António Costa - acrescentou - está "a desmontar os fundamentos do Estado Social" porque "ele julga que o Estado Social é um Estado Salarial". Ora "o Estado Social não é o que põe dez euros no bolso de um pensionista e depois não lhe dá uma cirurgia quando precisa".

Enfim, o primeiro-ministro "confundiu Estado Social com Estado salarial". O erro - explicou - foi fazer "a devolução de rendimentos de uma só vez e não gradualmente". E o PSD, quando no Governo, por muito que tenha posto em prática medidas que implicaram "sacrifícios terríveis", manteve-se fiel à sua "matriz social-democrata" porque "nunca deixou os serviços sociais irem à falência".

A atualidade europeia e mundial foi também abordada em profundidade pelo eurodeputado do PSD - e sempre com as suas afirmações contextualizadas com referências históricas.

Rangel afirmou, por exemplo, que a eleição de Donald Trump nos EUA é "a coisa mais grave que nos aconteceu nos últimos anos", não só pelos princípios ideológicos que representa, mas também pela sua total "imprevisibilidade": "Nunca sabemos como ele vai reagir."

"Outra dificuldade" - acrescentou - é o brexit, porque "os grandes pilares militares europeus eram a França e o Reino Unido e com a saída do Reino Unido "este grande pilar fica diminuído". Mas há uma boa notícia, acrescentou: "Há claramente hoje vontade de avançar num pilar de defesa europeia desde que articulado com a Nato" e isso é fundamental porque "ninguém deve pensar que uma Europa de paz está garantida" - "a guerra nos Balcãs está iminente, vive-se um de pré-guerra" e essa guerra traduzirá um conflito Putin/Erdogan. "A ação humana foi de guerras constantes. O que é normal na resolução de conflitos no espaço europeu é a resolução pela violência, é uma tradição e a II Guerra não foi uma exceção motivada por um louco mas sim o auge."

Sobre o futuro na UE, Paulo Rangel afirmou que a grande fratura não é entre o norte e o sul, mas sim entre o leste e oeste. "Na questão económica [entre o norte o sul] há um diálogo possível", mas na relação leste/oeste está a "criar-se um problema muito grave" para a UE quando em países como a Hungria, Roménia, Eslováquia ou Polónia a questão já é de respeito pelos fundamentos do Estado de Direito e da democracia liberal. "No leste estão a querer suprimir a liberdade de expressão e de imprensa, a independência do poder judicial."

Rangel afirmou-se esperançado na possibilidade de uma reforma do euro depois de as eleições alemãs, que atenda às características específicas dos países do sul. Esta reforma, disse, só não podia acontecer durante a crise que colocou países como Portugal e a Grécia sob assistência: "Nunca se podia esperar uma reforma do euro quando a desconfiança era total. Foi fundamental reganhar a confiança". Portanto, "provavelmente Merkel ganhará as eleições alemãs" e a reforma far-se-á depois.

O eurodeputado começou com uma preleção histórica sobre a formação da Europa e aproveitou para - tal como ontem à noite fez Sérgio Sousa Pinto - deixar um apelo aos jovens que o ouviam: "Não se vendam ao politicamente correto."

Fê-lo para defender uma ideia: "O conceito de Europa tal como o conhecemos é um conceito cristão", ou seja, a Europa é "culturalmente greco-romana" e "judaico-cristã do ponto de vista civilizacional". "A história é politicamente incorreta" e é por isso que "os politicamente corretos gostam de a rever", acusou.

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