Paulo Portas vai deixar a liderança do CDS-PP

O vice-primeiro-ministro do último governo anunciou a decisão esta noite aos dirigentes do partido, em reunião da comissão política.

Paulo Portas chegou à liderança do CDS-PP em 1998 - quando derrotou Maria José Nogueira Pinto, depois de Manuel Monteiro se demitir, na sequência do fracasso eleitoral nas autárquicas -, sendo o líder há mais tempo à frente de um partido.

Hoje comunicou aos dirigentes partidários, em comissão política do CDS, que não vai recandidatar-se à liderança no próximo congresso, que será convocado em Conselho Nacional no dia 7 de janeiro, confirmou o Diário de Notícias.

O que está por saber é se o ainda líder centrista vai manter-se como deputado na Assembleia da República depois de deixar a liderança do partido.

Para já, não são conhecidos candidatos à sucessão, mas fontes contactadas pelo Diário de Notícias indicam que Assunção Cristas, Pedro Mota Soares e Nuno Melo estarão entre os nomes mais fortes para assumir o lugar. O DN sabe que também Diogo Feio, antigo eurodeputado do CDS e membro da comissão diretiva, tido como muito próximo de Lobo Xavier (um histórico do partido) não exclui candidatar-se à liderança. Na calha está ainda o ex-secretário de Estado da Administração Interna e vice-presidente do CDS-PP João Almeida.

A ex-ministra da Agricultura, que foi uma das apostas de Paulo Portas, tem vindo a destacar-se nos últimos anos, sendo bastantes vezes apontada como alternativa à sucessão. A própria Assunção Cristas chegou a admitir, antes do verão, estar disponível para avançar "se um dia a questão se colocar".

As coligações com o PSD

À frente do CDS entre 1998 e 2005 e de novo desde 2007 até agora (Ribeiro e Castro ocupou o lugar naqueles dois anos, depois da derrota da direita nas legislativas de 2005), Paulo Portas negociou três coligações com o PSD para governar o país. Na primeira, em 2002, conseguiu três ministérios para o seu partido - Trabalho, Justiça e Defesa Nacional, pasta assumida pelo próprio líder centrista.

Tendo conseguido que o CDS-PP se tornasse na terceira força partidária nas legislativas de 2009, conquistando 21 lugares no Parlamento - altura em que Assunção Cristas chegou à Assembleia -, voltou a ver o seu partido crescer em 2011, quando elegeu 24 deputados. Foi com esta votação que se juntou pela segunda vez ao PSD para formar governo, assumindo ele próprio o lugar de ministro dos Negócios Estrangeiros e trazendo Assunção Cristas para a pasta da Agricultura e Mota Soares para a Segurança Social.

No verão de 2013, Paulo Portas causaria a mais grave crise política do governo de Passos Coelho com a sua demissão "irrevogável". Antecipou-se a queda do governo, o fim da liderança de Portas (os secretários de Estado centristas não o seguiram, como se esperava, e a demissão dos ministros Pedro Mota Soares e Assunção Cristas não foi aceite pelo CDS), mas o então primeiro-ministro recusou-se a ceder e o líder centrista recuou, acabando não só por manter-se no governo como por ganhar mais destaque. Da crise política, saiu vice-primeiro-ministro, conseguindo mais um lugar para o CDS no governo - a pasta da Economia ficou nas mãos de Pires de Lima.

Nas últimas legislativas, Portas juntou-se a Passos ainda antes de irem a votos e a coligação PSD-CDS venceu as eleições. Foi a primeira vez que os partidos que impuseram austeridade o conseguiram - ainda que essa se tornasse na legislatura mais curta da democracia. Viriam a ser afastados do governo 11 dias depois de tomarem posse, pela maioria parlamentar de esquerda, que votou uma moção de rejeição ao programa do governo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

"Petróleo, não!" Nesta semana já estivemos perto

1. Uma coisa é termos uma vaga ideia de quão estupidamente dependemos dos combustíveis fósseis. Outra, vivê-la em concreto. Obrigado aos grevistas. A memória perdida sobre o "petróleo" voltou. Ficou a nu que temos de fugir dos senhores feudais do Médio Oriente, das oligopolísticas, campanhas energéticas com preços afinados ao milésimo de euro e, finalmente, deste tipo de sindicatos e associações patronais com um poder absolutamente desproporcionado.