Pastel de nata com bolota dá primeiros passos no Alandroal

Quase todas as pastelarias do país confecionam os tradicionais pastéis de nata, mas, na vila alentejana de Alandroal, um pasteleiro decidiu dar um "toque regional" à iguaria e introduziu farinha de bolota na receita.

O pastel de nata de bolota foi desenvolvido por Rui Coelho, pasteleiro há mais de 40 anos, e está a ser comercializado há cerca de três semanas na sua pastelaria, no centro de Alandroal, no distrito de Évora.

Numa cozinha, a poucos metros da pastelaria, o também empresário conta à agência Lusa que a ideia surgiu "há já alguns anos", devido à abundância do fruto da azinheira na região, e que a receita até já "estava mais ou menos criada, só faltava testar".

"Quis criar um produto do Alentejo, da nossa zona, onde há muita bolota, que só se dava aos animais", refere o pasteleiro, lembrando que, há uns anos, "fazia-se pão de bolota e até bolos de bolota".

"Ainda há quem tenha receitas", assinala.

Rui Coelho diz que a bolota encontra-se com facilidade na zona, mas que não foi fácil descobrir quem a transformasse em farinha, tendo desafiado "uma pessoa amiga" que já produzia de castanha a utilizar o mesmo processo com a bolota.

"Experimentei três ou quatro vezes para chegar à melhorar textura e dei a provar aos clientes", que aprovaram a experiência, realça, indicando que a farinha da bolota "não faz um creme tão espesso" e que foi necessário alterar o "ponto de açúcar".

O pasteleiro explica que a confeção do pastel de nata de bolota "não tem segredos" e revela que a alteração mais significativa na receita passa por colocar farinha de bolota no recheio em vez da farinha de trigo.

"As pessoas estão a gostar e acho que é um produto que tem pernas para andar", afirma Rui Coelho, ressalvando que, ainda assim, "há pessoas que não querem provar", por ser confecionado com bolota.

Mas, "quem prova fica fã", afiança.

Os clientes aprovam o pastel de nata de bolota e até há quem prefira a nova especialidade. O mais difícil é explicar as sensações quando se come.

"Só mesmo provando para saber as diferenças, porque não consigo explicar os sabores em si, mas é diferente do que estamos habituados e é bom", diz Luísa Pinto.

Ao lado, Nídia Clareu, outra cliente, também não sabe explicar a diferença entre o tradicional pastel de nata e o "novo" de bolota, mas diz: "É muito bom. Para mim, melhor".

Não foi a primeira vez que Rui Coelho se aventurou na criação de novos bolos ou doces. O pasteleiro tem outras "criações", como a delícia de bolota, o Pêro Rodrigues (com amêndoa) e o pastel de chícharo (leguminosa de origem árabe).

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