Passos não volta atrás e apresenta livro, mas realça: "O autor é ele, não sou eu"

Líder do PSD diz que se comprometeu com José António Saraiva antes de ler a obra, que faz revelações sobre a vida de políticos

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse hoje que não volta com a palavra atrás e que vai apresentar o livro do jornalista José António Saraiva, mas espera que este assunto não seja transformado numa questão de natureza partidária.

"O arquiteto José António Saraiva convidou-me para me associar ao livro que ia fazer e respondi que sim, mesmo antes de conhecer a obra e aceitei fazê-lo. Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra", afirmou aos jornalistas durante uma visita a Proença-a-Nova, na aldeia de xisto da Figueira.

"Cada um terá a sua opinião sobre o conteúdo, não fui eu que escrevi o livro tão pouco, o autor é ele não sou eu. Não vou defender o livro nem as suas perspetivas, ainda nem tive ocasião de completar a leitura, não é essa a questão", disse, segunda cita o Observador.

Questionado sobre os comentários proferidos pelo presidente do PS, Carlos César, sobre o assunto, disse que não faz nenhum comentário porque não comenta questões desta natureza nos outros.

"Penso que o mais importante é que tudo o que se passa no plano editorial e jornalístico se faça dentro de certos limites, mas respeitando a liberdade das pessoas e aquilo que são as suas opiniões e visão", disse.

O presidente social-democrata disse que tem respeito por José António Saraiva: "Julgo que isso é o que aqui mais quero destacar, quando decidi aceitar o convite que ele me dirigiu e mais não digo".

"Não vou defender o livro nem as suas perspetivas, mas espero que o que quer que as pessoas venham a achar do livro, qualquer que seja a polémica que ele venha a ter, que não seja transformada numa questão de natureza partidária", concluiu.

O livro "Eu e os Políticos" entrou definitivamente na agenda política, depois de Carlos César, presidente do PS, lhe ter feito uma alusão esta manhã. "Bem sei, também, que esta realização [do PS] não tem a notoriedade da apresentação de um livro sobre mexericos da vida sexual de políticos (esse sim afanosamente apadrinhado pelo líder do PSD), mas sim estudar soluções para diminuir as desigualdades, o que pode não ser tão excitante", disse numa conferência classificada como a "rentrée" política do PS, em Coimbra, e que esta tarde será encerrada pelo secretário-geral socialista, António Costa.

No próximo dia 26, o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, apresenta em Lisboa o último livro do antigo diretor dos semanários "Expresso" e "Sol" José António Saraiva, conforme avançou o DN na sexta-feira. "O Dr. Pedro Passos Coelho aceitou o convite mesmo antes de ler o livro. Este convite foi aceite tendo em conta a admiração que o Dr. Pedro Passos Coelho tem pela carreira e pelo papel que o arquiteto José António Saraiva desempenhou e desempenha no jornalismo português." Foi este o conteúdo da nota enviada ao DN por um assessor de imprensa de Pedro Passos Coelho depois de o DN o ter questionado sobre se não se sentia "desconfortável" com o teor da obra e o facto de José António Saraiva contar várias histórias que lhe foram contadas em privado, muitas delas de conteúdo sexual.

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.