Passos não recua na apresentação do livro José António Saraiva

O apoio do presidente do PSD ao polémico livro transformou-se num caso político, com o PS e até centristas a criticar

Pedro Passos Coelho não vai voltar com a sua palavra atrás e vai mesmo apresentar o livro de José António Saraiva, o ex-diretor do Expresso e do Sol, que fala sobre a vida íntima de políticos, jornalistas e outras figuras públicas. "O arquiteto José António Saraiva convidou-me para me associar ao livro que ia fazer e respondi que sim, mesmo antes de conhecer a obra e aceitei fazê-lo. Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra", afirmou aos jornalistas durante uma visita a Proença-a-Nova, na aldeia de xisto de Figueira.

O apoio de Passos Coelho a Saraiva, cujo livro tem provocado reações críticas de diversos setores, suscitou este sábado também alguns comentários, igualmente reprovadores, de políticos do PS e do próprio CDS, ex-parceiro de coligação do PSD. Com alguma ironia, o presidente do PS, Carlos César, trouxe o caso ao palco na rentrée do partido: "Bem sei, também, que esta realização [do PS] não tem a notoriedade da apresentação de um livro sobre mexericos da vida sexual de políticos (esse sim afanosamente apadrinhado pelo líder do PSD), mas sim estudar soluções para diminuir as desigualdades, o que pode não ser tão excitante", disse.

Questionado sobre esta declaração, Passos afirmou que "o mais importante é que tudo o que se passa no plano editorial e jornalístico se faça dentro de certos limites, mas respeitando a liberdade das pessoas e aquilo que são as suas opiniões e visão". O ex-primeiro-ministro disse que não vai defender o livro nem as suas perspetivas" mas espera que "o que quer que as pessoas venham a achar do livro, qualquer que seja a polémica que ele venha a ter, que não seja transformada numa questão de natureza partidária".

Na sua página do Facebook, o ex-presidente do CDS, José Ribeiro e Castro, considerou que Passos Coelho, "sendo deputado da na Assembleia da República, sendo líder de um partido político (por sinal, o maior partido da oposição), sendo o ex-primeiro--ministro, o indicado seria declinar o convite para apresentar este livro". Embora quando aceitou o convite não conhecesse o conteúdo do livro, assinala, "agora já conhece" e "como escreveu Sophia (de Mello Breyner) "vimos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar"".

Também nesta rede social, a deputada socialista Isabel Moreira desaprovou o envolvimento do líder laranja. "Passos é cúmplice de um crime, portanto . Passos escolheu aderir ao maior ataque aos direitos de personalidade que a história da democracia inaugura com um livro que usa o termo "proibido" como arma, como se estivesse em causa a liberdade de expressão. Não está. Está em causa devassar a vida íntima e privada sem autorização dos próprios, a partir de "conversas privadas", alega-se descaradamente, incluindo conversas havidas ( ?) com gente que já morreu", escreve.

Com Lusa

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