Passos mudou de estratégia, para defender liderança do PSD

É a opinião de Marques Mendes, que esta noite no seu comentário na SIC também classificou os sete dias da presidência de Donald Trump, como "sete dias de pesadelo"

O ex-presidente do PSD, Marques Mendes, destacou a mudança de estratégia do partido, que teve o seu ponto alto na votação contra a TSU. "Uns dizem que esta mudança na TSU foi para embaraçar o Governo. Outros garantem que foi para afrontar o Presidente. Seguramente que essas razões terão pesado na decisão. Mas tenho para mim que as razões essenciais da mudança são outras: são razões internas; é a disputa pela liderança do PSD; é sobretudo Rui Rio", assinalou no seu comentário da SIC.

Mendes lembrou que as próximas eleições de Passos Coelho são internas e que, por isso, quer "animar as hostes". Para isso, sublinhou, "nada melhor do que radicalizar o discurso. É um clássico da vida partidária". E se esta mudança de tom só acontece agora e não no ano passado, quando o PSD serviu de "muleta" ao governo no caso Banif ou também no aumento do salário mínimo e consequente baixa da TSU, é porque "não havia perspetiva de adversário interno. Não havia Rio".

Para o social-democrata há vantagens nesta radicalização de discurso, que pode "unir, animar e motivar" os militantes, mas tem também "riscos evidentes": pode perder eleitores mais moderados, pode perder credibilidade, pode perder o centro político e ficar limitado à direita e corre o risco de insensibilidade social", pois o que estava em causa na TSU "era uma questão eminentemente social". Para Marques Mendes serão as sondagens nos próximos meses, que permitirão avaliar os resultados.

Ainda sobre política nacional, Marques Mendes destacou a "crise da TSU", que "deixou marcas no governo e na geringonça". "O Governo foi imprudente e teve uma derrota. Provavelmente não tem reflexos em termos de votos e nas sondagens. Mas afeta a imagem de solidez e eficácia da geringonça", afirmou. Para o comentador "até agora havia a ideia de que a geringonça era quase infalível, que funcionava na perfeição, que a sua solidez era à prova de bala. Este episódio mostrou que não é assim. Houve excesso de confiança e o Governo meteu um golo na sua própria baliza. De uma sensação de estabilidade passou-se para um risco de instabilidade".

Sobre política internacional, a atenção de Marques Mendes recaiu sobre Donald Trump. "Sete dias de presidência Trump. Sete dias de pesadelo", classificou. No seu entender o Presidente dos EUA surge como um "fator de perturbação e destabilização" num mundo já instável e alerta para a "mistura explosiva": "uma Europa vazia de estratégia e liderança e uns EUA orientados por uma espiral de loucura, demagogia e populismo".

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