Passos pediu a Saraiva para "o desobrigar" de apresentar o livro "Eu e os políticos"

Notícia atualizada com comunicado da editora. José António Saraiva reconhece que "é a atitude mais sensata"

O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho já não vai apresentar o livro "Eu e os Políticos", de José António Saraiva. Também a editora da obra, a Gradiva, optou por cancelar a cerimónia de lançamento, por receio de acicatar ainda mais os ânimos.

As decisões, de Passos e da editora, são esta quarta-feira noticiadas pelo jornal i e confirmadas pelo próprio autor. "Esta decisão foi absolutamente inesperada, mas acho compreensível. Metendo-me na pele de Pedro Passos Coelho, é de facto a atitude mais sensata", diz José António Saraiva ao i.

Já no início desta madrugada a Lusa noticiou que o líder do PSD pediu a José António Saraiva para "o desobrigar" de estar presente no lançamento do seu livro "Eu e os políticos".

Em comunicado enviado hoje à noite à agência Lusa, a editora Gradiva afirma que o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho "pediu ao autor, por motivos pessoais, para o desobrigar de estar presente na sessão de lançamento do livro".

A Gradiva afirma que "o livro tem sido objeto de uma polémica, por vezes excessivamente inflamada, nos media e nas redes sociais" e nesse sentido, José António Saraiva e "a editora consideram que o momento exige reflexão e que tudo farão para evitar o que possa contribuir para alimentar novas polémicas".

"Por decisão conjunta do autor e da editora, a cerimónia [de apresentação da obra] foi cancelada", lê-se no mesmo comunicado.

No livro, Saraiva descreve, segundo a editora Gradiva, "um conjunto de episódios polémicos, vividos na primeira pessoa, com diversos políticos e personalidades" portugueses, como Paulo Portas, Mário Soares, Marcelo Rebelo de Sousa, José Sócrates e Pedro Santana Lopes, assim como o atual primeiro-ministro, António Costa, incluindo pormenores mais íntimos e privados.

Ao todo, "Eu e os Políticos", do ex-diretor dos semanários Expresso e Sol, revela conversas privadas com 42 personalidades públicas.

O livro está já à venda, mas a sua apresentação oficial estava marcada para dia 26, no Centro Comercial El Corte Inglés, em Lisboa.

O livro está dividido em vários pequenos capítulos, cada um subordinado a uma personalidade da vida pública (a esmagadora políticos, mas também, por exemplo, os banqueiros António Horta Osório e Jorge Jardim Gonçalves) com quem Saraiva se relacionou ao longo da sua longa vida de jornalista (23 anos como diretor do Expresso e oito como diretor do semanário Sol).

Por lá passam histórias sobre as conversas que o jornalista teve com todos os ex-presidentes da República vivos (Eanes, Soares, Sampaio e Cavaco), sobre o atual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o atual primeiro-ministro, António Costa, e alguns dos seus antecessores (Durão, Santana e Sócrates), sobre os irmãos Paulo e Miguel Portas, o líder histórico do PCP Álvaro Cunhal e muitas outras personalidades, todas de primeira linha na vida pública portuguesa.

Saraiva parece revelar uma obsessão com pormenores da vida íntima e conta histórias que lhe contaram não só envolvendo as personalidades em causa como também terceiras figuras. Atribuiu a um político (já falecido) a informação de que outro político (ainda vivo) é homossexual, fala na "paixoneta" da mulher de um político por outro político (atribuindo essa informação ao que terá sido alvo dessa "paixoneta"), cita ex-líderes partidários a pronunciar-se de forma desprimorosa ou mesmo insultuosa sobre outros líderes partidários (e todos do mesmo partido), etc.

O facto de o líder do PSD ir apresentar tal obra acabou mesmo por marcar a agenda política nacional, com o presidente do PS, Carlos César, a ter feito alusão ao facto na sessão de abertura da conferência intitulada "Desigualdade, território e políticas públicas" - classificada como a "rentrée" política do PS -, que decorreu na passada sexta-feira no Convento de São Francisco, em Coimbra.

E não só. Também o ex-presidente do CDS, José Ribeiro e Castro e a deputada socialista Isabel Moreira utilizaram o Facebook para censurarem o envolvimento do líder laranja.

Nesse mesmo dia, Pedro Passos Coelho reiterou a intenção de apresentar o livro, afirmando, relativamente a José António Saraiva: "O autor é ele, não sou eu".

Com Lusa

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