Passos e Portas preparam programa com "espírito de compromisso"

Na maior reserva, os líderes da coligação já têm os nomes do seu elenco governativo, que devem apresentar na próxima semana.

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas já terão acertado os nomes do novo executivo. Mas o líder do PSD só agora deverá fazer os convites nesse sentido. E como o Presidente da República parte na terça-feira para Roma, só no final da semana Cavaco Silva deverá conhecer e dar posse ao elenco governativo. Os líderes da coligação preparam também um programa de governo ainda com "espírito de compromisso", apurou o DN.

Mesmo com a rejeição anunciada do programa por parte dos partidos da oposição, Passos e Portas vão tentar demonstrar como, até ao fim, mantiveram a vontade de negociar um acordo com António Costa para a viabilização do governo. E deverão, por isso, integrar algumas das propostas do programa eleitoral do PS, que já se tinham mostrado abertos a aceitar nas negociações da semana passada (ver página 7).

Na coligação as atenções estão focadas no programa de governo. Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Marco António Costa e Pedro Mota Soares são os "arquitetos" do plano que está a ser preparado com toda a reserva. A estratégia política pode ter uma de duas táticas.

Uma será aproximar, ou até suplantar as medidas propostas no programa eleitoral do PS, algumas das quais a coligação PAF já tinha apresentado a António Costa - e que este desvalorizou - no "Documento facilitador de um compromisso entre a coligação PAF e o PS para a governabilidade de Portugal". "Neste caso, face a um, praticamente inevitável, chumbo, poderia ser sempre interpretado como o PS e os seus aliados de esquerda estarem tão ávidos de poder a qualquer custo, que até rejeitaram opções que os próprios defendiam."

Este é, de acordo com as fontes ouvidas pelo DN, o mais provável. "A base será sempre o programa eleitoral da coligação, mas não vai faltar referência à atitude de negociação e espírito de compromisso, ditados pelo resultado das eleições de 4 de outubro, e que o PS, liminarmente, não quis partilhar", salienta um alto dirigente.

Esta opção tem o risco, reconhecem as fontes do DN, de a coligação perder o seu "ADN", com o qual venceu as eleições, e que era a de não entrar nos "despesismos aventureiros e irresponsáveis" de que criticava os socialistas. "Estar agora a subscrever o programa do PS não poderia desiludir os nossos eleitores que acreditam em nós e nas nossas opções, uma vez que foi com este programa que ganhámos as eleições?", questiona o dirigente centrista.

Outra hipótese é mesmo a de não sair da linha de "prudência económica e financeira" que foi defendida durante a campanha eleitoral, com medidas que permitiam a recuperação gradual dos rendimentos, tendo em conta a recuperação económica do país, e um pacote de despesas que não ponha em causa "os sacrifícios que os portugueses fizeram nos últimos quatro anos".

"De qualquer forma", assinala, na sua avaliação, um vice-presidente da coligação, "tudo depende da margem de orçamento que houver", reconhecendo que é um "mau sinal" a recente notícia sobre a execução orçamental de setembro, segundo a qual a devolução da sobretaxa do IRS já não pode ser os 35% que a coligação avançou na campanha, mas cerca de 9,7%.

Em relação à formação do governo, só Passos Coelho e Paulo Portas conhecem os nomes, grande parte dos quais nem serão novidade, pois já são atuais ministros e/ou secretários de Estado. Os poucos convites a figuras que não pertenceram a este governo de maioria PSD/CDS tiveram como condição não haver qualquer fuga de informação.

Trata-se de formar um governo de "combate político", preparado para ser chumbado no Parlamento, mas também para a eventualidade de o Presidente decidir mantê-lo em gestão, caso não queira mesmo dar posse a António Costa. Nos órgãos do PSD, Pedro Passos Coelho já deu a entender claramente que não deseja ser primeiro-ministro de um executivo deste tipo, mas a última palavra cabe ao chefe do Estado.

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