Passos e o complicado desafio de suplantar Cavaco e Rangel

Líder social-democrata encerra hoje, em Castelo de Vide, a Universidade de Verão do partido, uma das mais mediáticas de sempre.

Pedro Passos Coelho encerra hoje mais uma edição (a 15ª) da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, e tem um problema complicado para resolver: como conseguir suplantar em eficácia mediática as intervenções de Cavaco Silva e Paulo Rangel. O primeiro, virada a página do ajuste de contas com Sócrates, arrasou o Governo (criticando-lhe as políticas económicas e insinuando tentativas de controlo sobre organismos independentes de fiscalização da ação governativa) e ainda, veladamente, o Presidente da República (pela "verborreia" e pela falta de distância face aos jornalistas). Já Rangel destacou-se responsabilizando diretamente o Governo pelas vítimas - "e não foram poucas" - de Pedrógão.

Depois de uma rentrée no Pontal onde, de tanto disparar em tantas direções, nada verdadeiramente ficou, o líder do PSD tem hoje, em Castelo de Vide, uma segunda oportunidade para estabelecer uma linha orientadora inteligível para o discurso do seu partido nos próximos meses. Dentro de menos de um mês enfrentará as eleições autárquicas - que lhe poderão determinar decisivamente o futuro à frente do partido - e pouco depois começará o debate do Orçamento do Estado para 2018.

Os líderes passam - mas a Universidade de Verão do PSD fica. Criada em 2003, na vigência de Durão Barroso - que não queria festas populares do tipo da do Pontal para fazer a rentrée -, já vai portanto na 15ª edição - e sempre com o mesmo "reitor" à frente, o mais veterano dos eurodeputados portugueses, Carlos Coelho. De Durão para cá, o PSD já vai no quinto líder (seguiu-se-lhe Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite, tendo o partido estabilizado a partir de 2010 no atual, Pedro Passos Coelho). A partir do ano passado, o ano passado deixou de ter entre os seus convidados aquele que mais vezes foi a Castelo de Vide: Marcelo Rebelo de Sousa.

Durante uma semana, num hotel de Castelo de Vide inteiramente por conta do evento, cerca de jovens sujeitam-se a um intenso programa de formação política, onde discutem a atualidade, assistem a conferências, dinamizam um site, um pequeno jornal interno e um canal interno de televisão, aprendem noções básicas de comunicação política, simulam debates parlamentares e põe à prova as suas capacidades de liderança, trabalho em grupo e oratória. O evento tem, além do mais, projeção externa pelos convidados VIP que consegue mobilizar e há também a tradição de trazer um socialista (este ano foi o deputado e dirigente Sérgio Sousa Pinto, noutros foram outros, como Jaime Gama, António Vitorino e até Mário Soares). Cada um dos alunos paga 130 euros para ter dormida e alimentação. Nem todos são portugueses - há também alunos com origem nos PALOP ou até de países europeus. Todos são avaliados e no final os dez melhores recebem um diploma com uma marca especial. Geralmente o número de rapazes suplanta o das raparigas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?

Premium

Catarina Carvalho

O populismo na campanha Marques Vidal

Há uma esperança: não teve efeito na opinião pública a polémica da escolha do novo procurador-geral da República. É, pelo menos, isso que dizem os estudos de opinião - o número dos que achavam que Joana Marques Vidal devia continuar PGR permaneceu inalterável entre o início do ano e estas últimas semanas. Isto retirando o facto, já de si notável, de que haja sondagens sobre este assunto.