Passos não será "cúmplice" do governo. "Prefiro salvar o país do que salvar a pele"

Presidente do PSD adverte que há "riscos" de "novos sacrifícios" e não quer ter nada a ver com a governação de esquerda

Passos Coelho acredita que a atual "solução de governo está esgotada" e avisa que não será "cúmplice de uma solução em que o país tenha de passar por novos sacrifícios apenas para satisfazer um problema de sobrevivência política". No encerramento da Universidade de Verão, o líder do PSD volta a dar a entender de que não entrará em qualquer negociação quanto ao Orçamento do Estado.

Sem acenar diretamente com o fantasma de um novo resgate, como fez a sua vice-presidente Maria Luís Albuquerque numa aula na mesma "universidade", Passos defende que o atual governo está a "empurrar o país para o passado" e falou em "riscos que estão a ser tomados", "resultados que inspiram preocupação" e num governo "condenado ao fracasso e ao fiasco".

O líder da oposição quer que, no futuro, os que agora governam não possam "responsabilizar o PSD pelos resultados", já que o governo socialista "concentra-se na governação a curto prazo, no imobilismo e tem uma incapacidade de encontrar entendimentos para reformas que têm de ser feitas". Passos dá assim a entender que não quer sequer negociar o sentido de voto ou elaboração do Orçamento do Estado para 2017.

Passos disse ainda, perante os jovens do PSD, que é tempo de afastar o "espantalho da austeridade", já que esta não é da responsabilidade do PSD. E até pode estar mais próxima do que se pensa. Numa acusação ao governo, Passos afirma que "andaram a dizer que iam acabar com a austeridade e agora não têm dinheiro para pagar aos fornecedores de saúde ou às associações culturais".

O líder do PSD acredita que para evitar novos sacrifícios são necessárias reformas, acusando o atual governo de não ter "capacidade reformista", pois "sempre que tentam reformar, desentendem-se" e "só estão de acordo para reverter reformas que fizemos".

Apesar de denunciar um governo que debilita a imagem do país, Passos dá um sinal de calma para consumo interno do partido: "Não temos pressa de chegar ao governo para nos desforrarmos". Recordando os tempos em que disse "que se lixem as eleições", Passos afirmou que continua a preferir "salvar o país do que salvar a pele". E garantiu: "Nunca nos ouvirão dizer, que se lixe o país".

Passos aconselhou ainda os jovens do PSD, dizendo que "se tiverem de escolher entre o que parece certo e um resultadozito na eleição seguinte, escolham sempre o que vos parece certo". Antes do líder do PSD, também falou o presidente da JSD, Simão Ribeiro, que também deixou duras críticas à governação socialista: "O primeiro-ministro António Costa está a mais na política portuguesa."

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