Passos deixa hemiciclo depois de Costa falar da sua "voz maviosa"

A sonoridade ambígua da palavra motivou protestos entre deputados do PSD e do CDS, mas "voz maviosa" significa ser "agradável, suave, doce, terna". Foi neste momento que Passos Coelho saiu da sala.

Passos Coelho abandonou, por minutos, de forma ostensiva, o hemiciclo depois de um ataque violento do primeiro-ministro sobre o que o presidente do PSD terá dito, "lá fora", sobre o Orçamento do Estado. António Costa sugeriu mesmo que Passos, "com a sua voz maviosa", andou a dizer que tinha convencido os seus parceiros para serem meigos com Portugal.

O primeiro-ministro endureceu as críticas e deixa Passos Coelho com as orelhas a arder. A resposta é ao deputado do PEV José Luís Ferreira, mas o alvo é o seu antecessor. António Costa voltou a desafiar o PSD a vir "de uma vez por todas para o presente" e acusou sociais-democratas e centristas de "fazerem figas por baixo da mesa" para que a Comissão Europeia "não aprovasse o OE".

"O momento mais triste" dos últimos tempos, diz Costa, acrescentando que "todas as noites" PSD e CDS "acendem uma velinha para ver quando é que uma agência de rating dizia que este OE não podia existir".

E mais: lamentou que "o líder do PSD tenha andado a defender que a Comissão Europeia chumbasse o OE". "Ouvimos Passos com a sua voz maviosa pedir aos seus correligionários" a pedir para serem meigos com Portugal.

Em síntese, e aplaudido por toda a esquerda, atirou: "À falta da maioria que não têm nesta Assembleia, querem ganhar lá fora o que perderam nesta câmara."

O deputado do PSD, Matos Correia, foi o primeiro social-democrata a falar depois do episódio de Passos ter deixado por minutos o hemiciclo. Abrindo o período de pedidos de esclarecimentos dos deputados, Matos Correia atirou: "Não vou descer ao nível do senhor primeiro-ministro."

Para o parlamentar do PSD, Costa "insiste em não responder a coisa nenhuma" e "em vulgaridades", sem dizer "em concreto coisa nenhuma".

Depois recuperou as eleições legislativas de 4 de outubro, "o PSD concorreu coligado com o CDS" e "ganhou essas eleições", para notar (numa referência a uma intervenção do socialista Carlos César) que o seu partido "não teve que se pôr em nenhum genuflexório para ceder à esquerda radical".

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