Passageiros já "acham normal" constantes avarias no Metro de Lisboa

Casos mais recorrentes verificam-se nas estações da Baixa-Chiado, do Rato, Alameda, Olivais e Areeiro, indica representante dos utentes do Metro

Escadas rolantes com avarias crónicas, passadeiras sempre paradas e elevadores avariados são o dia-a-dia dos utilizadores do Metropolitano de Lisboa, que já se habituaram e deixaram de reclamar, segundo um representante dos utentes.

O coordenador do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), Rui Monteiro, resumiu a situação, afirmando: "chegámos a um ponto em que o normal é não funcionar".

Os casos mais recorrentes verificam-se nas estações da Baixa-Chiado, do Rato, Alameda, Olivais e Areeiro.

"Nos Olivais, há um conjunto de problemas desde o início: as escadas rolantes estão sistematicamente avariadas e, no sentido São Sebastião - Aeroporto, há quatro acessos, mas só dois é que estão abertos", disse Rui Monteiro.

Alguns lanços de escadas rolantes "sempre encerrados" na Baixa-Chiado e no Rato, "duas das estações mais profundas da rede", foram também apontados pelo coordenador do MUSP, bem como as obras "paradas há mais de dois anos" no Areeiro.

Para Rui Monteiro, a manutenção no Metro "é feita de forma muito deficiente", pelo que "há sempre avarias e qualquer reparação leva muito tempo".

O MUSP recebe "algumas reclamações esporádicas", porque "as pessoas já nem se dão ao trabalho de reclamar".

"Há alguma resignação. Já acham normal", lamentou.

Também o porta-voz do Movimento dos Utentes do Metropolitano de Lisboa considerou que os "passageiros se acomodaram à situação", mas defendeu que "têm de lutar pelos seus direitos", porque "pagam um serviço que é prestado com uma grande degradação crescente".

"O preço do bilhete aumentou, não me parece que seja justo pagar e ter sempre algum acesso avariado", disse Aristides Teixeira, para quem "a manutenção pressupõe uma atitude de prevenção. No metro isso não existe. Só intervêm após as avarias", acrescentou.

Afirmando que grávidas, idosos e pessoas com mobilidade reduzida encontram estas dificuldades, o porta-voz daquele movimento afirmou que "não há confiança no sistema de acesso ao metro".

Segundo Aristides Teixeira, uma das passadeiras rolantes da Alameda está parada há muito tempo, assim como o tapete rolante do Areeiro.

Em declarações à Lusa, a presidente da Associação Portuguesa de Deficientes (APD) disse que um "problema é que até as poucas [estações] que têm elevador, têm os elevadores constantemente avariados".

"A solução é os funcionários do Metro transportarem as pessoas pela escada, o que é arriscadíssimo", afirmou.

No caso das pessoas com deficiência, que têm de utilizar regularmente transportes públicos, Ana Luísa Sesudo defendeu que a "melhor opção é comprarem viatura própria".

Na página de Facebook do Metropolitano são frequentes as queixas dos passageiros pelas constantes avarias, perturbações, limpeza e tempo de espera.

A Lusa tentou, sem sucesso, ter reações do Metropolitano de Lisboa e do Provedor do Cliente da empresa a estas queixas.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.