PAN não quer carroças e charretes nas vias públicas

André Silva afirma que os veículos de tração animal põe em risco a segurança e prejudicam a imagem do país

O partido Pessoas-Animais-Natureza apresentou esta quarta-feira na Assembleia da República um projeto de lei para proibir a circulação de veículos de tração animal na via pública. Segundo o deputado do PAN, as carroças, charretes e carruagens põe em causa a segurança pública e o bem-estar dos animais.

"Infelizmente é comum a ocorrência de acidentes fatais causados por este tipo de veículos", afirmou André David, o único deputado do Pan, segundo o I. O facto de os veículos de tração não estarem "homologados, sinalizados ou segurados" é outro dos motivos para o pedido do PAN.

A preocupação pelo bem-estar dos animais, que muitas vezes são sujeitos "a excesso de carga, alimentação deficitária" e "falta de proteção contra intempéries" também contribuiu para a apresentação deste projeto de lei.

Nas charretes turísticas, por exemplo, explica o deputado, "os cavalos ficam cerca de oito horas seguidas a fazer circuitos e esperas ao sol, o que leva à rápida desidratação dos animais".

Além disso, estes animais são muitas vezes abandonados quando já não têm forças para puxar os veículos.

Para André Silva, a circulação de veículos de tração animal prejudica ainda a imagem do país e o turismo, pois os visitantes ficam em choque "quando se deparam com cavalos a puxar carroças em pleno século XXI".

O deputado afirma que a maioria dos turistas vêm da América do Norte e do norte da Europa, "onde as normas relativas ao bem-estar dos animais estão mais desenvolvidas", e que ficam surpresos porque este tipo de práticas "não é compatível com uma sociedade evoluída".

A forma como tratamos os nossos animais diz muito de nós enquanto povo

O projeto de lei do PAN prevê que as pessoas que não disponham de meios de transporte alternativos tenham dois anos para se adaptarem e que sejam apoiados pelo estado para tal.

"O estado deverá criar um programa de incentivos que vise apoiar estes cidadãos na escolha de um veículo alternativo", afirmou André David, uma opção "mais segura e mais veloz"

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